Entenda como funcionará a cooperação Brasil-EUA no combate ao crime organizado

A Receita Federal e a agência de fronteiras norte-americana compartilharão entre si informações em tempo real e integrarão esforços de inteligência

  • Por Jovem Pan
  • 10/04/2026 22h18
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Divulgação/Polícia Federal Maior apreensão de armas da história do Brasil Por meio da cooperação, Brasil e Estados Unidos lançaram o Programa Desarma

O Brasil e os Estados Unidos firmaram nesta sexta-feira (10) acordo de cooperação mútua no combate ao tráfico internacional de armas e drogas. A colaboração internacional funcionará por meio da integração de esforços de inteligência e do compartilhamento de informações em tempo real entre a Receita Federal e a agência de fronteiras norte-americana.

Segundo informou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nomeado de Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), a cooperação está inserida no contexto de diálogos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder norte-americano, Donald Trump. A construção da cooperação teve início em janeiro de 2026, após visita técnica a Foz do Iguaçu, no Paraná. A inspeção consolidou o alinhamento entre os países para fortalecer a atuação em rotas sensíveis, como a região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.

‘Remote Targeting’

O titular da Fazenda explicou também que o sistema Remote Targeting possibilitará a análise remota de carga e o envio contínuo de dados e relatórios de inteligência dos Estados Unidos ao Brasil. O procedimento permitirá a identificação de remessas ilícitas. Já em território brasileiro, as informações serão repassadas da Receita Federal à Polícia Federal (PF).

Programa Desarma

A principal iniciativa da cooperação é o lançamento do Programa Desarma. Por meio da medida, os países farão o compartilhamento de informações a fim de ampliar a capacidade de rastreamento internacional de armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros produtos sensíveis.

Por meio de um sistema informatizado, dados estratégicos das apreensões serão reunidos, como o tipo de material, origem declarada, informações logísticas da carga e eventuais identificadores ou números de série, algo que pode viabilizar o mapeamento de redes ilícitas de comércio internacional de armas. A ferramenta também permitirá o envio de alerta às autoridades aduaneiras dos países de origem ou de mercadorias confiscadas.

Classificação de facções brasileiras

O anúncio da cooperação entre os países se deu em momento no qual Trump tem dado indicações de que enquadrará o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Por se opor à medida, o Planalto tem tentado criar canais de confiança com a Casa Branca para impedir a classificação. Durigan disse que a possibilidade de tipificação das facções não foi debatida durante as tratativas para firmar a cooperação.

*Com informações de Agência Estado e Reuters

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