Entenda por que a fuligem do incêndio em Franco da Rocha se espalhou por São Paulo

Em entrevista à Jovem Pan, Carlos Bocuhy, presidente do Proam, falou sobre o episódio e explico como a substância se espalhou pela região metropolitana

  • Por Jovem Pan
  • 22/08/2021 17h46
Arquivo Pessoal/Victoria RibasIncêndio em Franco da Rocha gerou nuvem de fuligem na região metropolitana

Um incêndio atingiu a vegetação do Parque Estadual do Juquery, localizado na cidade de Franco da Rocha, na região metropolitana de São Paulo, na manhã deste domingo, 22. Segundo o Corpo de Bombeiros, a causa do incêndio ainda não foi identificada. A Corporação também informou que 80 bombeiros, sete viaturas e um helicóptero estão trabalhando no combate às chamas. Uma das consequências do incêndio foi o espalhamento de fuligem por diversas regiões da Grande São Paulo, atingindo até cidades longe de Franco da Rocha e zonas afastadas da capital paulista. Em entrevista à Jovem Pan, Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam) explicou a razão pela qual a fuligem chegou a locais tão distantes do ponto de origem.

Durante sua explicação sobre o episódio, Bocuhy destacou que as condições meteorológicas recentes facilitaram a ocorrência do incêndio em larga escala e que as correntes atmosféricas favoráveis contribuíram para que a nuvem de fuligem atingisse diferentes regiões da Grande São Paulo. “Em primeiro lugar, o volume do incêndio é considerável, porque trata-se de uma área de cerrado que sofreu geada algum tempo atrás. A geada proporciona um material muito seco e que é suscetível à combustão. A outra questão é que o transporte da área do Juquery para a cidade de São Paulo através das correntes atmosféricas é muito fácil por conta da predominância do vento noroeste. Então essa nuvem de fuligem acaba sendo lançada para a região metropolitana de São Paulo”, afirmou.

O presidente do Proam também esclareceu que a fuligem é composta por substâncias prejudiciais à saúde humana. “O principal problema disso é que essa nuvem de fuligem, na verdade, é composta por elementos danosos à saúde humana, que são os materiais particulados 2.5, e esse material é nocivo para o trato respiratório. Tratam-se de partículas muito pequenas contra as quais o organismo humano não consegue filtrar, fazendo com que elas penetrem na corrente sanguínea de imediato”, disse Bocuhy, que completou: “As pessoas tem que evitar inalar a poluição. Uma vez que essa fuligem assenta e não está no ar que você venha a respirar, ela não é tão nociva à saúde. É importante que as pessoas se protejam em eventos com muita fumaça no ar e que usem máscaras”.