Salles chama integrantes do Greenpeace de ‘ecoterroristas’ após protesto contra óleo no Nordeste
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chamou os integrantes da ONG Greenpeace de “ecoterroristas” após um protesto na manhã desta quarta-feira (23) contra as manchas de óleo que já chegaram em pelo menos 200 pontos do litoral do Nordeste.
Os manifestantes simularam um derramamento de petróleo na frente do Palácio do Planalto, em Brasília, e seguraram faixas contra o governo. A Polícia Militar deteve 19 integrantes da ONG, que foram levados à delegacia e liberados após três horas.
De acordo com o Greenpeace, a substância despejada no chão é um líquido feito com uma mistura de amido de milho, farinha de tapioca, óleo de amêndoas, água e corante. Ainda segundo a organização, não é tóxico e pode ser limpo com água e sabão.
Salles já havia criticado o Greenpeace nesta segunda (21). Também nas redes, ele publicou um vídeo de um dos integrantes respondendo “Por que o Greenpeace não está nos locais atingidos ajudando na limpeza?”. A explicação seria “que o trabalho de combate as manchas de petróleo exige conhecimento e materiais adequados”. Após a fala, o ministro colocou um vídeo de voluntários retirando o óleo com as mãos protegidas apenas por luvas.
“O Greenpeace ‘explicou’ porque não pode ajudar a limpar o óleo venezuelano nas praias do Nordeste…. ahh tá…”, ironizou Salles.
Manchas chegaram à foz do Rio Jaboatão
As manchas atingem várias localidades diferentes do Nordeste desde o dia 2 de setembro. Na madrugada desta quarta-feira (23), o óleo chegou à Praia Barra da Jangada, onde está a foz do Rio Jaboatão, em Jaboatão dos Guararapes, cidade vizinha de Recife, em Pernambuco.
O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, afirmou, em visita ao governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), que o plano de contingência, cobrado pelos governadores, já foi acionado desde o início da crise e lembrou que a responsabilidade é conjunta. O ministro explicou ainda porque só agora 5 mil homens do Exército foram designados para ajudar no trabalho de limpeza das praias.
“Nós não julgávamos ser necessário. Quando precisou, empregamos o Exército. Quando as manchas saíram de Salvador e chegaram em Pernambuco, aí sim. A imprevisibilidade do local que aparecem as manchas, a dificuldade nossa é essa.”
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