Guedes nega possibilidade de furar teto de gastos: ‘Eu confio no presidente e ele em mim’

Segundo o ministro, o que está em discussão é um possível remanejamento de recursos

  • Por Jovem Pan
  • 17/08/2020 21h15 - Atualizado em 18/08/2020 08h32
Gabriela Biló/Estadão ConteúdoGuedes participou de reunião com Bolsonaro e com o relator da PEC do Pacto Federativo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta segunda-feira, 17, após reunião com o presidente Jair Bolsonaro, que “eles confiam um no outro”. Além disso, afastou a possibilidade do governo furar o teto de gastos, e afirmou que o que está em discussão é um possível remanejamento dos recursos. “Nos conhecemos há dois anos e meio. Eu não tive ainda nenhum ato que indicasse que eu não deveria confiar nele, e acho que em nenhum momento faltei ao que ele confiou em mim. Acho que confortável neste cargo eu não estou, porque é um cargo difícil, mas acho que em momentos decisivos ele me apoiou”, declarou o ministro.

Em relação à polêmica sobre gastar mais do que a União arrecada, Guedes reafirmou o seu compromisso com a responsabilidade fiscal e voltou a dizer que “alguém propor furar o teto é ruim para o governo”, mas que existe “uma forma de abrir espaço para investimentos”: o Pacto Federativo. Segundo ele, este assunto foi tratado na reunião de hoje com o relator da proposta, senador Márcio Bittar (MDB-AC). “A economia está voltando e começando a se recuperar, estamos destravando o horizonte de investimentos. Tivemos uma excelente conversa com o presidente e estávamos conversando com o relator do Pacto Federativo, discutindo também o Renda Brasil”, disse o ministro. Para ele, o Brasil vai retomar a economia com a ajuda do setor privado, juros mais baixos, e aumento do câmbio.

Remanejamento de recursos

Sobre a informação de que propôs a liberação de R$ 5 bilhões para os ministérios do Desenvolvimento Regional e da Infraestrutura, Guedes esclareceu que o valor seria uma sobra de recursos de duas Medidas Provisórias do dinheiro que foi repassado a estados e municípios, e não foi utilizado. De acordo com ele, esse remanejamento foi conversado com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do Senado, Davi Alcolumbre, e com o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. “Ninguém queria furar o teto. A decisão técnica de onde sai o recurso precisa respeitar a lei de responsabilidade fiscal, vamos gastar, mas dentro da lei. Para o presidente, é natural que tenha ministros que queiram gastar mais e menos. Minha função é lançar o alerta, mas há como aumentar os investimentos no Brasil, sim”, afirmou Guedes. “É natural que um governo queira fazer obras públicas, transformar as obras de infraestrutura, e o teto tem restringido isso”, continuou.

Segundo o ministro, apesar de “às vezes haver uma tensão criada pelos parlamentares”, a conversa é sempre muito franca e transparente. “Cada um tem a sua função. Eu tenho o papel de trancar as despesas, outro de investir. O presidente é muito transparente e sincero e é minha obrigação usar a mesma transparência e sinceridade”, disse. “Estamos todos sob o mesmo teto e estamos retomando as reformas. O presidente sente que está firme e pode seguir na agenda dele”, afirmou.