Homem que atirou em moradora de rua por pedir R$ 1 alega legítima defesa

Polícia diz que hipótese é fantasiosa; irmã da vítima contou que ela queria o dinheiro para ‘comprar pão’

  • Por Jovem Pan
  • 20/11/2019 17h16
Reprodução Rede GloboUma pessoa que passava pelo local tentou socorrer a vítima e até sinalizou para carros que passavam na via - porém, ninguém parou

Foi preso nesta quarta-feira (20) Aderbal Ramos de Castro, o homem que matou a tiros a moradora de rua Zilda Henrique dos Santos Leandro, de 31 anos, no Centro de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, após ela pedir R$ 1 para ele. A prisão temporária foi decretada pelo plantão judiciário.

Na delegacia, Aderbal disse que ela o abordou na rua tentando roubá-lo, e por isso ele sacou a arma e disparou contra ela. O delegado Bruno Reis, que investiga o caso, disse ao portal G1 que a polícia não acredita nessa possibilidade. “Pelo menos até agora, a hipótese alegada de legítima defesa é fantasiosa. No depoimento, ele disse que não sabia nem se a vítima era homem ou mulher. Apenas que se assustou por achar que seria assaltado e atirou”.

Ainda de acordo com Reis, Aderbal possui posse, mas não porte de armas. E, em função disso, não poderia estar armado na rua já que a posse de arma autoriza apenas ter arma em casa ou em local de trabalho. Ele era dono de um comércio da região e afirmou que levou o objeto para o trabalho, pois estava “com medo de ser assaltado”.

Zilda era muito conhecida na região pela qual circulava e muito querida pelos comerciantes locais, que frequentemente a ajudavam com doações. Conforme o G1, a irmã dela chegou na Divisão de Homicídios na manhã desta quarta-feira chorando muito.

“Minha irmã só pediu R$ 1 para comprar pão. Ele ficou de graça, dizendo que iria dar um tiro nela. Minha falou que duvidava e foi atrás dele. Foi quando ele atirou”, contou. O crime ocorreu na madrugada de sábado (16), na Rua Barão de Amazonas.

Homem atirou e saiu andando

Imagens que registraram o crime mostram a jovem gesticulando e dialogando com o atirador. Ele tenta desviar, mas Néia – como Zilda era conhecida – o segue.

Em seguida, Ardebal saca a arma e dispara pelo menos duas vezes contra ela. Zilda fica caída na rua enquanto o atirador vai embora andando como se nada tivesse acontecido. Uma pessoa que passava pelo local tenta socorrer a vítima e até sinaliza para carros que passavam na via – porém, ninguém para.