Jovem torturado em SP reconhece agressores; dois são indiciados

  • Por Jovem Pan
  • 09/09/2019 19h43
Jovem de 17 diz ter sido chicoteado por 40 minutos em supermercado da capital paulista

A Polícia Civil de São Paulo indiciou nesta segunda-feira (9) Davi de Oliveira Fernandes, 37 anos, e Valdir Bispo dos Santos, 49 anos, ex-seguranças do supermercado Ricoy, por chicotear um jovem negro de 17 anos após ele tentar furtar um chocolate.

O adolescente esteve no 80º Distrito Policial, da Vila Joaniza, zona Sul de São Paulo, e reconheceu os agressores. Eles estão presos temporariamente.

Valdir Bispo dos Santos se entregou à Polícia Civil no sábado (7). O outro investigado, David Oliveira Fernandes, já havia sido preso na sexta (6).

A ordem de prisão temporária – por cinco dias prorrogáveis – partiu da juíza criminal Tatiana Saes Valverde Ormeleze e acolhe representação da Polícia Civil. A magistrada também autorizou buscas e apreensões contra os investigados.

Adolescente está em abrigo

Segundo o advogado Ariel de Castro Alves, conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos), na sexta-feira, o adolescente foi incluído no serviço de acolhimento. “Ele está num abrigo da rede socioassistencial da Prefeitura. O encaminhamento foi feito pelo Conselho Tutelar da Cidade Ademar e pelo Centro de Referência da Assistência Social”, disse.

“Nos próximos dias o jovem deve ser incluído no PPCAAM- Programa de Proteção de Crianças e Adolescentes Ameaçados. A inclusão dele no Programa já foi solicitada pelo Conselho Tutelar e pelo Creas. A Vara da Infância e Juventude de Santo Amaro também acompanha o caso. Familiares do jovem reclamaram de ameaças e de que foram procurados por pessoas desconhecidas. O menino estava morando com um irmão dele, que foi favorável ao acolhimento dele num abrigo”, completou Castro Alves.

O conselho tutelar ainda o encaminhou para acompanhamento Psicossocial junto ao Creas (Centro de Referência da Assistência Social) e o Centro de Apoio Psicosocial (Caps).

“Um relatório sobre a situação de risco do menino, que vivia nas ruas e usava drogas, foi encaminhado para a Vara da Infância e Juventude de Santo Amaro, que acompanha caso”, concluiu, informando ainda que o pai do jovem faleceu no início do ano e a mãe sofre de alcoolismo e não foi localizada.

Outra investigação

O rapaz afirmou que, no mês passado, dentro do Supermercado Ricoy, apanhou das gôndolas uma barra de chocolate e tentou sair sem efetuar o pagamento. Em seguida, ele diz ter sido abordado pelos seguranças e levado a uma sala nos fundos, onde passou por uma sessão de tortura, sendo despido, amordaçado e chicoteado.

E esta não é a única investigação a respeito da conduta de agentes de segurança do Ricoy. Uma mulher negra denunciou à Polícia Civil, em abril, uma abordagem de seguranças do supermercado que a fez “imaginar estar sendo assaltada”.

A mulher prestou depoimento ao 98º Distrito Policial, do Jardim Miriam, zona Sul de São Paulo. A abordagem ocorreu, segundo a vítima, em uma unidade do Ricoy que fica na mesma avenida daquela em que o rapaz foi chicoteado.

“Um deles apontando arma de fogo, tirou as duas bolsas de suas mãos e passou a revistá-las; que decidiu retornar ao mercado para certificar-se que as duas pessoas que a abordaram eram funcionários do local”, consta no Boletim de Ocorrência.

O que diz o Ricoy Supermercados

O Ricoy Supermercados apura todo e qualquer caso de violência. Mais do que isso, sempre vai colaborar com as investigações e as autoridades para garantir que todos os fatos sejam esclarecidos. E enfatizamos que somos contrários e não compactuamos com qualquer tipo de discriminação ou violação de direitos humanos. Por isso, o Ricoy espera que sejam punidos no rigor da lei sempre que o crime for comprovado.

Em relação aos fatos lamentáveis registrados em vídeo divulgado amplamente, o Ricoy Supermercados esclarece o seguinte:

1 – Ficamos chocados com o conteúdo da tortura em cima do adolescente vítima da violência.

2 – O Ricoy desde sua fundação na década de 1970 exerce os princípios mais rígidos de valorização do ser humano, seja em nossas lojas ou em nossa comunidade. Ficamos muito abalados com a notícia que nos causou repulsa imediata.

3 – Os dois seguranças acusados de praticarem os atos são de empresa contratada terceirizada e não prestam mais serviço para nossos supermercados.

4 – Para manter a coerência em contribuir com as investigações, nesta terça-feira (3), um funcionário da loja Yervant Kissajikian, 3384, prestou depoimento no 80º Distrito Policial.

5 – O Ricoy já disponibilizou uma assistente social para conversar com a vítima e a família. E dará todo o suporte que for necessário.

O Ricoy Supermercados condena e repudia todos os casos de violência, discriminação ou violação dos direitos humanos envolvendo direta ou indiretamente suas lojas.

O Ricoy Supermercados acredita que para a construção de um país mais justo é preciso uma sociedade mais igualitária, mais tolerante com as diferenças e sem preconceitos.

Não por acaso é importante enfatizar que desde a sua fundação o Ricoy Supermercados reflete em seu corpo de colaboradores a grande diversidade dos brasileiros.

E diante das notícias dos últimos dias, enfatiza: espera que todos sejam punidos no rigor da lei sempre que o crime for comprovado.

*Com Estadão Conteúdo