Juiz repreende doleira por postar vídeo nas redes sociais ensinando a retirar tornozeleira

Nelma Kodama teve extinta a pena de 15 anos de prisão nesta terça-feira

  • Por Carolina Fortes
  • 08/08/2019 19h05 - Atualizado em 08/08/2019 19h07
Reprodução nelma-kodama.jpg "Com a divulgação do vídeo, Nelma presta um desserviço à sociedade brasileira", disse magistrado

O juiz que concedeu a extinção da pena de prisão de Nelma Kodama, Danilo Pereira Júnior, da 12ª. Vara Federal de Curitiba repreendeu, em decisão feita nesta quinta-feira (8), a doleira por uma publicação nas redes sociais em que ensinava a retirar a tornozeleira eletrônica.

No despacho, escreveu que, “com a divulgação do vídeo, Nelma presta um desserviço à sociedade brasileira”. “A atitude, longe de perpassar pela liberdade de expressão, a todos assegurada constitucionalmente, configura inegável comportamento antiético e ofensivo à dignidade de justiça”, disse.

O magistrado lembrou, ainda, que “embora extinta a pena privativa de liberdade”, a doleira permanece “vinculada aos termos do seu acordo de colaboração premiada, sendo imprescindível que mantenha conduta compatível com seu status de colaboradora”.

Nesta terça-feira (6), o juiz autorizou que ela mesma fizesse a retirada do equipamento e deu prazo de cinco dias para que ele fosse devolvido à Justiça Federal. Nelma foi solta graças ao indulto natalino concedido no final de 2017 pelo ex-presidente Michel Temer.

No dia em que tirou a tornozeleira, ela publicou um vídeo no Instagram, onde aparecia balançando o pé sem o equipamento.

A doleira foi presa em 2014 em operação da Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo quando tentava embarcar para a Itália com 200 mil euros escondidos na calcinha. Conhecida como a “Dama do Mercado”, ela foi condenada pela Operação Lava Jato.

Ficou dias sem água e comida na cela

Em entrevista ao Pânico nesta quarta-feira (7), Nelma contou que ficou “alguns dias” sem água e comida na cela, pois a Polícia Federal queria que ela fizesse uma delação premiada. “Eu fiquei sem água e sem comida durante alguns dias. Era uma cela sem luz com um colchão cheirando a xixi. Eu não podia comer, não podia nada, não tinha direito a banho de sol”, disse.

Condenada em 2014 a 18 anos de prisão por corrupção, evasão de divisas e organização criminosa, afirmou que não se arrepende do que fez. “Eu não me arrependo de nada na minha vida, não adianta a gente olhar para trás”.

Ela ainda tem outros 15 inquéritos, mas explicou que o acordo de delação premiada que firmou com a Justiça garante que não será condenada em nenhum deles. “Tenho só que colaborar com a justiça sempre que for convocada”, ressaltou.

Polêmicas

No mês passado, Nelma compartilhou uma foto em seu perfil no Instagram em que aparecia de vestido longo vermelho, sapato de salto alto da grife Chanel e tornozeleira eletrônica. Dois dias depois, postou mais uma imagem com o mesmo look e com uma provocação na legenda. “Se existe ainda quem queira me condenar… Venha logo a primeira pedra atirar”, escreveu, colocando como hashtags os nomes de alguns veículos de imprensa.

Entre suas emblemáticas aparições também está um depoimento à CPI da Petrobrás em 2015 em que cantou trecho de uma música de Roberto Carlos para explicar como era sua relação com o doleiro Alberto Youssef.

“Sob meu ponto de vista, eu vivi maritalmente com Alberto Youssef do ano de 2000 a 2009. Amante é uma palavra que engloba tudo, né? Amante é esposa, amante é amiga”, disse. “Tem até uma música do Roberto Carlos: a amada amante, a amada amante. Não é verdade? Quer coisa mais bonita que ser amante? Você ter uma amante que você pode contar com ela, ser amiga dela”, completou.