Justiça nega habeas corpus e mantém prisão de Hytalo Santos e marido

Decisão do Tribunal de Justiça da Paraíba confirma prisão preventiva mesmo após condenação por exploração sexual de menores, no último sábado (21)

  • Por Jovem Pan
  • 24/02/2026 10h57 - Atualizado em 24/02/2026 11h08
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RAUL LUCIANO/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Hytalo Santos ao chegar ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em São Paulo, na manhã desta sexta-feira (15) Hytalo Santos ao chegar ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em São Paulo, em agosto do ano passado

A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) negou, em sessão realizada nesta terça-feira (24), o pedido de habeas corpus em favor do influenciador Hytalo Santos e de seu marido, Israel Nata Vicente. Com a decisão, a Justiça mantém a prisão preventiva dos dois, que já haviam sido condenados em primeira instância no último fim de semana. O resultado final do julgamento foi unânime pela permanência do casal no sistema prisional.

Inicialmente, o placar estava em 2 a 1 pela manutenção da prisão, com os votos dos desembargadores Ricardo Vital e Carlos Beltrão favoráveis à negação do recurso. O desembargador João Benedito, que a princípio votou pela soltura dos réus, reviu sua posição durante a sessão e decidiu acompanhar o voto dos colegas. Dessa forma, o pedido de liberdade foi rejeitado por unanimidade.

A negativa do habeas corpus ocorre dias após a sentença de primeira instância, proferida no último sábado (21), que condenou o casal por crimes relacionados à exploração sexual de menores. Hytalo Santos recebeu uma pena de 11 anos e 4 meses de reclusão, enquanto Israel Vicente foi sentenciado a 8 anos e 10 meses.

Os dois estão detidos preventivamente desde agosto do ano passado, quando foram alvo de uma operação que investigava tráfico humano e exploração infantil. As acusações envolvem a exposição de crianças e adolescentes em redes sociais e a produção de conteúdo impróprio.

Relembre o caso

Hytalo Santos e Israel Vicente foram presos em agosto do ano passado em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, em cumprimento a mandados expedidos pela 2ª Vara da Comarca de Bayeux, da Paraíba.

As investigações que levaram às prisões têm por objeto os crimes de tráfico humano e exploração sexual infantil.

Tipificada no Código Penal, a pena para tráfico humano é de reclusão de 4 a 8 anos, aumentada de um terço até a metade se o crime for cometido contra criança ou adolescente, podendo chegar a 12 anos de prisão.

Os dois foram alvos de investigação pelo Ministério Público da Paraíba sob suspeita de explorar crianças e adolescentes nas redes sociais. O caso ganhou holofotes após um vídeo do criador de conteúdo Felca falar de adultização com denúncias sobre influenciadores que abusam da imagem de crianças. Um dos principais nomes citados era o de Hytalo Santos.

Felca, no vídeo sobre adultização de crianças publicado na semana passada, chamou o conteúdo de Hytalo de “circo macabro”. Investigado pelo MP da Paraíba desde 2024, foi banido do Instagram após o vídeo de Felca.

Assim como o marido, Israel também teve sua conta do Instagram desativada, poucas horas após publicar uma mensagem em defesa de Hytalo.

Hytalo gravava danças com menores de idade, muitas delas com pouca roupa, e ganhava dinheiro ao divulgar os vídeos nas redes. Com o passar dos anos, ele criou uma casa apelidada de “mansão” e levou algumas crianças para morar com ele, com a permissão dos pais.

O influenciador apelidou o grupo de “filhos”, a maioria jovens em vulnerabilidade social, a quem ele oferecia suporte financeiro, moradia, alimentação e educação. Em troca, eles aparecem em seus conteúdos.

O influenciador também ficou conhecido pela ostentação nas redes, o que incluía desde a distribuição de celulares de última geração até a doação de carros, casas e cirurgias plásticas para as “filhas” adolescentes.

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