Manchas de óleo se aproximam de arquipélago de corais na Bahia

Abrolhos é um arquipélago que detém os bancos de corais de maior diversidade do Atlântico Sul

  • Por Jovem Pan
  • 23/10/2019 17h03
Roger Gonzalez/Google MapsA Marinha informou, no entanto, que as ilhas ainda não foram atingidas

As manchas de óleo que atingem as praias do Nordeste desde o início de setembro já se aproximam de Abrolhos, no sul da Bahia, um arquipélago que detém os bancos de corais de maior diversidade do Atlântico Sul. A Marinha informou, no entanto, que as ilhas ainda não foram atingidas.

No fim de semana, o petróleo foi avistado entre Ilhéus e Itacaré, ao sul da Baía de Todos os Santos. Conforme o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra o parque de Abrolhos, as equipes que atuam no monitoramento realizarão um sobrevoo nas ilhas, nesta quarta-feira (22), para avaliar como está a região.

Os deslocamentos realizados de barco não constataram a presença do óleo nas imediações. Se forem detectadas manchas, será acionado o Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), integrado pela Marinha, Ibama e Agência Nacional do Petróleo, para o envio de barcos e ações de contenção, segundo o ICMBio.

De acordo com a Marinha, o GAA não constatou manchas na região. “No entanto, como forma de monitoramento da localidade, estão programados voos regulares. Para esta quarta, dois sobrevoos no sul da Bahia até o Arquipélago de Abrolhos estão programados”, informou.

Ainda conforme a Marinha, o navio-patrulha Guaíba partiu das proximidades de Recife, ao amanhecer desta terça, para retomar as buscas por manchas de óleo no litoral do Nordeste. A cidade da costa mais próxima de Abrolhos é Caravelas, no litoral sul baiano. Segundo a prefeitura, a substância ainda não tocou as praias do lugar.

Preocupação

Na segunda-feira (21) durante reunião com o comandante do 2º Distrito Naval da Marinha, vice-almirante André Luiz Santana, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), manifestou preocupação com o avanço das manchas em direção a Abrolhos. “De nossa parte, foi apresentada a inquietação de como a situação pode ser conduzida a fim de reduzir impactos e danos à natureza”, disse.

Segundo ele, além de proteger as áreas ainda não atingidas, é preciso fazer a limpeza do óleo. Costa lembrou que o governo forneceu equipamentos e contratou empresa para a retirada da substância que atingiu as praias, mas não tem como conter o produto em alto mar. Até esta terça-feira, tinham sido afetados sete dos nove manguezais do litoral norte da Bahia: Jacuípe, Inhambupe, Imbassaí, Itaririri, Itapicuru, Subauma e Pojuca.

O óleo atingiu também o Morro de São Paulo, no município de Cairu, arquipélago de Tinharé, ao sul da Ilha de Itaparica. A Segunda e a Terceira praias foram interditadas. De acordo com a secretária de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, Fabiana Pacheco, as primeiras manchas foram avistadas durante a madrugada desta terça. Os passeios de barco ao redor da ilha foram suspensos.

Sobre Abrolhos

O Arquipélago de Abrolhos é constituído por cinco ilhas, distantes 75 quilômetros da costa de Caravelas. A Ilha de Santa Bárbara, onde está o farol da Marinha, é a única habitada. As outras quatro são áreas inatingíveis, onde o desembarque é proibido. As ilhas ocupam área de 913 km2, pertencente ao Parque Nacional Marinho de Abrolhos. Visitado por Charles Darwin em 1832, o arquipélago protege o principal berçário de baleias-jubarte do Atlântico Sul, que migram para Abrolhos para ter seus filhotes, e abriga tartarugas ameaçadas de extinção.

* Com informações do Estadão Conteúdo