Ministério do Meio Ambiente suspende ações contra desmatamento ilegal na Amazônia

Pasta alegou bloqueio financeiro de R$ 60,6 milhões no IBAMA e no ICMBio; atividades contra queimadas no Pantanal também estão suspensas

  • Por Jovem Pan
  • 28/08/2020 18h20 - Atualizado em 28/08/2020 18h24
GABRIELA BILÓ/ESTADÃO CONTEÚDOAções contra queimadas e desmatamento na Amazônia serão suspensas

Na tarde desta sexta-feira, 28, o Ministério do Meio Ambiente informou por nota que devido a um bloqueio financeiro pela Secretaria de Orçamento Federal – SOF, todas as operações de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia Legal, de combate às queimadas no Pantanal e demais regiões do país, serão suspensas a partir das 00h00 de segunda-feira, 31. A pasta justifica o congelamento de R$ 20.972.195 nas verbas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA e R$ 39.787.964 nas verbas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio.

De acordo com a nota, esses R$ 60,6 milhões somam à redução de outros R$ 120 milhões já previstos com o corte do orçamento na área de meio ambiente para o ano de 2021. A medida tira 1.346 brigadistas, 86 caminhonetes, 10 caminhões e 4 helicópteros da área de queimadas que o IBAMA atua.Em relação ao desmatamento, serão desmobilizados 77 fiscais, 48 viaturas e 2 helicópteros. No ICMBio, o corte acompanhará 324 fiscais, além de 459 brigadistas e 10 aeronaves Air Tractor que combatem às queimadas na Amazônia.

Segundo dados do sistema de monitoramento por satélite Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento na Floresta Amazônica cresceu 33% entre agosto de 2019 e julho de 2020 em comparação com o mesmo período entre 2018 e 2019. Neste período, um total de 9.205 km² de floresta foi derrubada, um aumento expressivo em relação aos 6.844 km² registrados no período anterior. É o maior índice desde o início da série do Deter, que começou em 2015.

Somente em agosto já foram registrados 24.633 focos de incêndio na Amazônia, de acordo com o Inpe, o que representa o segundo maior número para o período dos últimos 10 anos, atrás do ano passado, quando foram registrados 30.900 focos. No Pantanal, os focos de queimadas aumentaram 240%, entre 1º de janeiro e 13 de agosto, comparados ao mesmo período do ano passado. Segundo dados do Inpe, apenas nos 13 primeiros dias de agosto foram contabilizados mais focos de calor de que em todo o mês de agosto de 2019: 2.578 contra 1.684. (uma alta de 53%).