Nelson Teich: ‘A vida é feita de escolhas e hoje escolhi sair’

Nesta quinta, o país ultrapassou 202 mil casos de Covid-19 e se aproxima de 14 mil mortes. Teich ficou menos de um mês no cargo e não revelou o motivo de sua saída

  • Por Jovem Pan
  • 15/05/2020 16h21 - Atualizado em 15/05/2020 17h04
Dida Sampaio/Estadão ConteúdoNelson Teich, ex-ministro da Saúde

O agora ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, fez um breve pronunciamento na tarde desta sexta-feira (15) sobre sua saída da pasta. “A vida é feita de escolhas e hoje escolhi sair”, disse.

Sem explicar os motivos que levaram ao seu pedido de demissão do governo Bolsonaro, Teich disse que “não é simples estar à frente do Ministério da Saúde em um período tão difícil”. Ele ficou menos de um mês no cargo e havia assumido a pasta no lugar de Luiz Henrique Mandetta.

Durante o pronunciamento, o ex-ministro elogiou o trabalho da equipe técnica do ministério. “Conduzir a saúde é o trabalho de um grande time e eles sempre estiveram do meu lado e trabalharam intensamente pelo país”, disse.

Por meio de nota, o Ministério da Saúde comunicou o pedido de demissão de Teich no começo desta tarde.

De acordo com a comentarista Thaís Oyama, do 3 em 1, da Jovem Pan, o que culminou na saída de Teich foi a insistência do presidente Jair Bolsonaro na mudança de protocolo para prescrição de cloroquina para pacientes com Covid-19.

Atualmente, o protocolo da pasta permite a administração do medicamento apenas para pacientes graves. Bolsonaro, no entanto, defende ampliar a aplicação também para pacientes com sintomas leves. Teich não abordou o assunto em nenhum momento durante sua fala. Ele destacou que há um plano estratégico pronto para “auxiliar secretários de saúde, governadores e prefeitos a entender o que está acontecendo e definir os próximos passos”.

Teich também elogiou a atuação dos profissionais de saúde que estão na linha de frente no combate ao novo coronavírus, que causa a Covid-19. “Aqui, agradeço aos profissionais de saúde. É de se impressionar com a dedicação dessas pessoas. É espetacular”.

Durante sua atuação à frente da pasta, Teich chegou a visitar os estados do Amazonas e Rio de Janeiro para entrega de insumos para a saúde e visitas em hospitais de campanha.

O ex-ministro ainda agradeceu a Bolsonaro pela oportunidade de comandar a Saúde do país. “Agradeço ao presidente Jair Bolsonaro que me deu a oportunidade de fazer parte do Ministério da Saúde. Estudei em escola pública, cursei faculdade pública e iniciei meu trabalho no sistema público. E o mais importante de tudo: Não aceitei o convite pelo cargo, mas sim porque achava que poderia ajudar as pessoas”.

Nesta quinta, o país ultrapassou 202 mil casos de Covid-19 e se aproxima de 14 mil mortes. No mesmo dia, durante videoconferência com empresários, Bolsonaro afirmou que “pode e vai” mudar o protocolo para uso de cloroquina em pacientes com Covid-19.

No pronunciamento, Teich ainda falou em um “programa de testagem pronto para ser implementado que será fundamental para definir estratégias e ações”. O atual secretário-executivo da pasta, general Eduardo Pazuello, é cotado para assumir o cargo deixado por Teich, além do ex-ministro da Cidadania, Osmar Terra.