PF faz buscas na casa de Oswaldo Eustáquio; Moraes determina prisão domiciliar

O blogueiro teria descumprido as medidas cautelares ao sair de Brasília sem avisar as autoridades e ao fazer publicações nas redes sociais

  • Por Jovem Pan
  • 17/11/2020 08h50 - Atualizado em 17/11/2020 09h50
Reprodução/YouTube

A Polícia Federal (PF) esteve nesta terça-feira, 17, na residência do jornalista Oswaldo Eustáquio, em Brasília, para cumprimento de mandados de busca e apreensão de computadores, tablets, celulares e outros dispositivos eletrônicos — além da prisão domiciliar e uso da tornozeleira eletrônica. A ação faz parte do inquérito que investiga o financiamento de atos antidemocráticos, que tem como relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) o ministro Alexandre de Moraes. Segundo publicação feita pela assessoria do blogueiro nas redes sociais dele, Eustáquio “está sendo conduzido à Superintendência da Polícia Federal com mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes”. A publicação, assinada pela assessoria de comunicação do jornalista, cita que a motivação da prisão foram as denúncias “da trama do golpe de Luciano Bivar (PSL) e o laranjal de Guilherme Boulos” e fala em prisão por “por crime de opinião”.

No entanto, segundo a decisão, Oswaldo Eustáquio teria descumprido as medidas cautelares impostas a ele, como a determinação de não sair de Brasília sem avisar as autoridades e não postar nas redes sociais. O jornalista teria ido a São Paulo no dia 9 de novembro sem autorização prévia e tinha 24 horas para justificar o descumprimento. O deputado federal Eduardo Bolsonaro usou o Twitter para condenar a decisão de Moraes. “Determinar que um jornalista independente seja proibido de usar suas redes sociais é determinar sua morte por inanição. Ao que parece não é só o Sleeping Giant que aderiu à estratégia de ‘follow the legal money'”, disse.

No domingo, 15, a Justiça Eleitoral ordenou a suspensão do canal do Youtube de Eustáquio pelo vídeo “O laranjal de Boulos: PSOL utiliza empresas fantasmas para lavar dinheiro na corrida eleitoral em SP”, material que teria sido feito em São Paulo e levado ao mandado de prisão domiciliar. O conteúdo publicado diz que o candidato do PSOL lavou dinheiro por meio da contratação de empresas falsas e imputa a Guilherme Boulos a prática do crime de falsidade ideológica eleitoral. A campanha de Boulos entrou com ação acusando o youtuber de propagar fake news, o que levou a decisão da justiça. O bolsonarista já foi preso no âmbito do inquérito que investiga o financiamento de atos antidemocráticos contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).