‘Ainda não sei do que fui acusado’, diz blogueiro bolsonarista

Em entrevista ao programa Os Pingos Nos Is, o jornalista Oswaldo Eustáquio, preso em junho por atos antidemocráticos, diz que os advogados ainda não tiveram acesso aos autos do processo

  • Por Jovem Pan
  • 06/07/2020 19h32 - Atualizado em 06/07/2020 20h13
Reprodução/InstagramOswaldo Eustáquio. jornalista bolsonarista

O jornalista Oswaldo Eustáquio disse nesta segunda-feira (6), em entrevista ao Os Pingos Nos Is, da Jovem Pan, que ainda não sabe sobre o que foi acusado ao ser preso no inquérito que apura o financiamento de atos antidemocráticos no país. As investigações estão no Supremo Tribunal Federal (STF), com a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Eustáquio foi preso no dia 26 de junho, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, por decisão de Moraes. “Até o presente momento, depois de 10 dias na prisão, não sei do que fui acusado e meus advogados não tiveram acesso aos autos”, declarou. Mesmo após ter sido solto, neste domingo, o jornalista não pode acessar as redes sociais e está proibido de ficar a menos de um quilômetro da Praça dos Três Poderes, em Brasília, ou das residências dos ministros do STF.

Para ele, o país vive “em estado de exceção”. “Tive meus direitos humanos violados, tive o sigilo da fonte violado. Quando eles apreendem meu celular e computador, eles puderam ouvir tudo o que falo com fontes. Me sinto em censura prévia, não é mais estado de direito, mas sim de exceção. Mesmo assim continuarei defendendo o direito de expressão até mesmo daqueles que me criticam”, disse.

Eustáquio também criticou a forma como as investigações estão sendo conduzidas no STF. “Eu nunca vi isso na minha vida. Ele [Alexandre de Moraes] julga, ele mesmo é vítima, ele mesmo investiga. Eu nunca vi isso acontecendo no Brasil e essa censura prévia é um precedente perigoso para todos os jornalistas” ressaltou. O jornalista afirmou ainda que a Polícia Federal, responsável pelos mandados de busca e apreensão, apreenderam “o meu celular, meu computador e da minha mãe, e também dos meus filhos. Eu não tenho como trabalhar, mas não vão calar a minha voz”.

O inquérito que tramita em sigilo no Supremo também busca os meios de financiamentos de Eustáquio – o jornalista negou, em depoimento, que receba dinheiro do governo ou de empresários. “O governo não me financia, os empresários não me financiam, então quem sustenta Oswaldo Eustáquio? As pessoas que me assistem”, disse.