Polícia Civil realiza operação contra venda ilegal de camarotes no MorumBis

Ação cumpre mandados de busca e apreensão e tem como alvos ex-dirigentes do São Paulo e intermediários investigados por comercialização irregular de ingressos 

  • Por Jovem Pan
  • 21/01/2026 09h16 - Atualizado em 21/01/2026 10h14
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Reprodução/X/São Paulo Morumbi O MorumBis conta com diversos camarotes que são usados em jogos e shows

A Polícia Civil realiza nesta quarta-feira (21) uma operação contra a venda ilegal de camarotes no estádio do MorumBis, casa do São Paulo Futebol Clube. Agentes cumprem quatro mandados de busca e apreensão.

Entre os alvos estão Mara Casares, ex-mulher do presidente afastado Júlio Casares, e Douglas Schwartzmann, diretor adjunto das categorias de base do São Paulo. Rita Adriana, suposta responsável pela comercialização irregular de um camarote, também é alvo da operação.

Em dezembro, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) foi acionado para investigar a venda ilegal de ingressos em um camarote do MorumBis. O espaço no estádio do São Paulo não era comercializado oficialmente, mas teve o uso cedido a uma intermediária, que cobrou judicialmente por valores não repassados por terceiros e fez o caso se tornar público.

Um áudio divulgado pelo GE mostra Mara Casares e Douglas Schwartzmann, então diretores do São Paulo, pressionando Rita de Cassia Adriana Prado, que vendia os ingressos do espaço, para que ela encerre a cobrança judicial a uma terceira pessoa que também atuou na venda de entradas.

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Agentes cumprem quatro mandados de busca e apreensão

O escândalo, somado à outra investigação da Polícia Civil, que apura um suposto esquema de desvio de verba no São Paulo, ocasionaram no afastamento de Casares da presidência após o Conselho Deliberativo aprovar o impeachment do mandatário. A destituição ainda depende da aprovação na assembleia de associados do clube.

Em resposta à operação deflagrada nesta quarta-feira (21), o clube se manifestou sobre a investigação. “O São Paulo Futebol Clube é vítima neste caso e vai contribuir com as autoridades”, escreveu Pedro Iokoi, advogado do SPFC, em nota.

Entenda o caso de venda de camarotes 

O MorumBis conta com diversos camarotes que são usados em jogos e shows. Um deles é o camarote 3A, espaço que não é comercializado e que fica em frente ao gabinete do presidente Júlio Casares. O local é conhecido por “Sala Presidencial”.

Mara Casares e Douglas Schwartzmann, agora diretores licenciados do São Paulo, estariam envolvidos em um esquema de venda de ingressos do camarote 3A, uma ação não autorizada e que seria feita de forma “clandestina”, como os próprios diretores licenciados afirmam em áudio obtido pelo GE.

Nesta conversa, Mara e Schwartzmann falam com Rita de Cassia Adriana Padro, conhecida como Adriana, da The Guardians Entretenimento Ltda, que seria intermediária na venda e repasse das entradas desse camarote para terceiros.

Adriana ingressou com um processo contra Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda, acusando-a de ter tirado de suas mãos 60 ingressos para um show da colombiana Shakira. Esses 60 tickets seriam comercializados por R$ 132 mil. No entanto, Adriana alega que recebeu apenas R$ 100 mil. Carolina diz que pagou o combinado, está sendo vítima de calúnia e teve prejuízos.

Ocorre que ao processar uma pessoa ou empresa por obter de forma irregular ingressos que foram gerados de maneira “clandestina” o caso se tornou público e passou a ser de conhecimento do São Paulo. Dada a situação, Mara e Schwartzmann pressionaram Adriana a retirar o processo para que a ação ilícita não se tornasse de conhecimento geral.

Mara diz que os áudios estão fora de contexto e alega que “não obteve ganho próprio de nenhuma natureza”. Já Schwartzmann afirma que não teve “qualquer participação em venda, negociação ou comercialização de camarotes ou ingressos de eventos” e que agiu pontualmente para evitar que um problema particular afetasse o São Paulo.

As aberturas das sindicâncias foram solicitadas pelo superintendente do clube, Marcio Carlomagno. Ele também é citado no áudio vazado, mas diz que apenas teve o nome usado indevidamente.

*Com Estadão Conteúdo 

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