Polícia confirma 3ª morte por suspeita de intoxicação com cerveja em MG

  • Por Jovem Pan
  • 16/01/2020 09h21 - Atualizado em 16/01/2020 09h24
Reprodução / Backer O Ministério da Agricultura confirmou que a cervejaria usou água contaminada na produção

A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou a morte da terceira pessoa suspeita de ter sido contaminada pela substäncia dietilenoglicol após consumir a cerveja Belorizontina, da fábrica mineira Backer.  

A vítima morreu na madrugada desta quinta-feira (16). O corpo foi levado para o IML da capital mineira para necropsia. 

Outras duas mortes já foram confirmadas pela polícia. Um quarta óbito, de uma mulher no município de Pompeu, também está em análise. 

O Ministério da Agricultura confirmou que a cervejaria usou água contaminada na produção. A análise detectou que a contaminação foi dentro do local, mas ainda não se sabe como. A pasta considera como hipóteses o uso indevido ou vazamento de substâncias de refrigeração, além da sabotagem. 

Investigação

O ministério anunciou ter achado seis lotes contaminados da cerveja Belorizontina e uma da Capixaba. Outros são avaliados. A investigação federal trata a contaminação como “sistêmica”. “Os controles de produção demonstram que os lotes já detectados como contaminados passaram por distintos tanques, afastando a possibilidade de ser um evento relacionado a um lote ou tanque específico”, aponta o ministério.

A investigação indica ainda que a Backer comprou 15 toneladas do monoetilenoglicol, usado na refrigeração da produção, quantidade acima do normal. Houve pico de consumo da substância no fim do ano. “Esse insumo não é consumido em ritmo elevado. Poderia ser pela ampliação do parque fabril, ou por falha no processo, quando está se gastando acima do esperado”, disse Carlos Vitos Muller, coordenador de vinhos e bebidas da pasta. A substância circula por fora do tanque, em serpentinas de refrigeração, e não pode ter contato com a água.

Foram achados rastros de monoetilenoglicol e dietilenoglicol nos corpos de vítimas e na água da produção. Para técnicos da pasta, a segunda substância pode ter sido formada em processo químico a partir do monoetilenoglicol. Os produtos não podem se misturar com a bebida nem serem ingeridos. O ministério já recolheu 139 mil litros de cerveja e 8,48 mil litros de chope da Backer.