São Paulo tem 3.591 casos de sarampo; capital concentra 60% dos registros

  • Por Jovem Pan
  • 11/09/2019 16h44
Marcelo Camargo/Agência BrasilA secretaria informou que continua realizando a imunização de bebês maiores de 6 meses e menores de um ano

A Secretaria de Estado da Saúde divulgou, nesta quarta-feira (11), um novo levantamento que indica que o número de casos de sarampo registrados em São Paulo chegou a 3.591. De acordo com a pasta, a capital concentra 60% dos registros, com 2.179 ocorrências contabilizadas.

O último boletim, divulgado em 4 de setembro, indicou 2.753 casos em 13 estados nos últimos 90 dias, 2.708 em São Paulo. O vírus, que está em circulação em 134 municípios, já fez três vítimas fatais: dois bebês – uma menina de quatro meses em Osasco e um menino de 9 meses na capital, além de um homem de 42 anos, também em SP.

A secretaria informou que continua realizando a imunização de bebês maiores de 6 meses e menores de um ano. A pasta também está dando orientações para famílias de crianças que ainda não podem ser imunizadas.

“A recomendação para as mães de crianças com idade inferior a 6 meses é evitar exposição a aglomerações, manter higienização adequada, ventilação adequada de ambientes, e sobretudo que procurem imediatamente um serviço de saúde diante de qualquer sintoma da doença, como manchas vermelhas pelo corpo, febre, coriza, conjuntivite, manchas brancas na mucosa bucal. Somente um profissional de saúde poderá avaliar e dar as recomendações necessárias.”

Na semana passada, o Ministério da Saúde anunciou que vai oferecer para os Estados e o Distrito Federal cápsulas de vitamina A na concentração de 50 mil UI (Unidades internacionais) para casos suspeitos da doença em bebê com menos de 6 meses, faixa etária que não pode ser vacinada e que corre mais risco de ter complicações ou de morrer por causa da doença.

Como o sarampo pode levar à morte?

Segundo a imunologista e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Daniela Rosa o sarampo em si não pode levar ao óbito, mas sim complicações causadas pela doença.

A especialista esclarece que o sarampo pode comprometer o sistema respiratório gravemente, levando, por exemplo, a uma insuficiência respiratória. O que ocorre é que a doença causa uma pneumonia para a qual não há tratamento específico e que começa com tosses e falta de ar, e evolui progressivamente para a insuficiência, podendo acarretar a morte.

Além disso, de acordo com Daniela, o sarampo pode afetar o sistema nervoso, progredindo para casos de encefalite – doença rara, caracterizada por inchaço e inflamação do cérebro que, se não tratada, pode levar a complicações graves. Outras implicações do sarampo incluem infecção no ouvido ou diarreia.

Quais são os principais sintomas?

Os principais sintomas do sarampo são irritação nos olhos, conjuntivite, corrimento no nariz, manchas brancas na parte interna da bochecha, mal estar, tosse persistente e manchas vermelhas na pele. A recomendação é que se vá para um hospital ou posto de saúde assim que começarem os primeiros sintomas. Quando a pessoa é infectada, pode demorar até 10 dias para que eles comecem a aparecer. Nesse período, o sarampo já pode ser transmitido.

Existe tratamento para o sarampo?

De acordo com o Ministério da Saúde, não existe tratamento específico para o sarampo. É essencial procurar um médico aos primeiros sintomas da doença para saber qual é o tratamento adequado. Normalmente, recomenda-se a administração da vitamina A em crianças acometidas pela doença, a fim de reduzir a ocorrência de casos graves e fatais. O tratamento profilático com antibiótico é contraindicado.

* Com informações do Estadão Conteúdo