Ministério monitora síndrome que pode estar associada à Covid-19 em crianças e adolescentes

Maioria dos casos relatados apresentou exames que indicaram infecção atual ou recente pelo SARS-CoV-2; pasta ressalta, no entanto, que ocorrências são raras

  • Por Jovem Pan
  • 06/08/2020 16h53
Ricardo B. Labastier/ JC ImagemAté julho, 71 casos da SIM-P foram registrados em quatro estados, além de três óbitos

O Ministério da Saúde está investigando uma suposta relação entre a Covid-19 e a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), que acomete crianças e adolescentes entre sete meses e 16 anos. Até julho, 71 casos da SIM-P foram registrados em quatro estados, sendo 29 no Ceará, 22 no Rio de Janeiro, 18 no Pará e dois no Piauí, além de três óbitos no Rio. A maioria dos casos relatados apresentou exames laboratoriais que indicaram infecção atual ou recente pelo SARS-CoV-2 ou vínculo epidemiológico com caso confirmado da Covid-19. Embora os casos apontem para uma possível relação de uma nova característica do coronavírus em crianças e adolescentes, o ministério ressalta que estas ocorrências foram raras até o momento, frente ao grande número de casos com boa evolução da doença nesta faixa etária.

Na última semana, o Ministério da Saúde implantou a notificação dos casos de SIM-P nos sistemas de monitoramento, bem como mantém conversas com as secretarias de saúde dos estados e municípios para orientar o diagnóstico e atendimento de possíveis ocorrências por profissionais de saúde através da identificação dos sinais e sintomas mais comuns. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia emitido um alerta mundial aos pediatras relatando a existência dessa nova síndrome e sua possível associação à Covid-19. As manifestações clínicas da SIM-P são similares à síndrome de Kawasaki típica, Kawasaki incompleta e/ou síndrome do choque tóxico. Entre os sintomas mais frequentes estão febre persistente acompanhada de pressão baixa, conjuntivite, manchas no corpo, diarreia, dor abdominal, náuseas, vômitos, comprometimento respiratório, entre outros.

No Brasil, em 20 de maio, o Ministério da Saúde em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) já havia emitido um alerta chamando atenção da comunidade pediátrica para a identificação precoce da síndrome no país. Países como Espanha, França, Itália, Canadá e Estados Unidos também identificaram casos em crianças e adolescentes. No mundo, há relatos de mais de 300 infeções.

Pesquisa

No dia 21 de maio, pesquisadores do Instituto Evandro Chagas (IEC), no estado do Pará, elaboraram um protocolo com orientações de diagnóstico e atendimento para seguimento dos casos relacionados a essa síndrome no Brasil. Entre 15 de abril e 15 de junho, 155 crianças foram hospitalizadas com suspeita da Covid-19 nos hospitais participantes da pesquisa feita pelo IEC. A infecção foi confirmada em 108 destes pacientes. Deste total, o diagnóstico de SIM-P foi confirmado em 18 crianças, de acordo com os critérios estabelecidos pela OMS.

Dos 18 casos diagnosticados pelo IEC, para Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica, 11 tiveram segmento no estudo (sete foram excluídos pois apresentavam situação vacinal incompleta para a idade). Os 11 casos diagnosticados na pesquisa apresentaram idade entre sete meses e 11 anos, a maioria pertencente ao gênero masculino, com diagnóstico nutricional de sobrepeso/obesidade ou comorbidades associadas (respiratórias e neurológicas). O tempo entre a exposição ao vírus e manifestações clínicas da síndrome variou entre seis e 60 dias.