Fake news: Weintraub compara operação do STF com nazismo

Determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, a ação resultou em 29 buscas e apreensões nesta quarta-feira

  • Por Jovem Pan
  • 27/05/2020 17h56 - Atualizado em 27/05/2020 18h21
Dida Sampaio/Estadão ConteúdoOntem, Moraes determinou que Weintraub seja ouvido pela Polícia Federal para explicar suas falas durante a reunião ministerial do dia 22

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, comparou a operação da Polícia Federal feita nesta quarta-feira (27), que mira suspeitos de participação em um esquema para divulgação de fake news, a ações do regime nazista, responsável pela morte de milhões de pessoas.

“Hoje foi o dia da infâmia, VERGONHA NACIONAL, e será lembrado como a Noite dos Cristais brasileira. Profanaram nossos lares e estão nos sufocando. Sabem o que a grande imprensa oligarca/socialista dirá? SIEG HEIL!”, escreveu Weintraub em uma rede social. A expressão Sieg Heil é uma saudação nazista que significa “salve a vitória” ou “viva a vitória”, usada frequentemente com a saudação de Adolf Hitler. Já a “Noite dos Cristais” marcou um período de agressões contra os judeus em 1938.

A operação da PF, que resultou em 29 buscas e apreensões, foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Ele apontou indícios de que um grupo de empresários “atua de maneira velada financiando recursos para a disseminação de notícias falsas e conteúdo de ódio” contra o STF e outras instituições.

Ontem, Moraes determinou que Weintraub seja ouvido pela Polícia Federal para explicar suas falas durante a reunião ministerial do dia 22, quando disse que, por ele, colocaria os ministros da Corte “na cadeia”.

Outras críticas

Já o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Filipe Martins, chegou a compartilhar a publicação de um blogueiro que foi alvo da operação da PF, dono do perfil Lets Dex. Na mensagem, o blogueiro pede uma reação de Bolsonaro à operação.

“Sempre farei tudo o que estiver ao meu alcance, dentro e fora do governo, para combater qualquer tentativa de criminalizar opiniões, sejam elas quais forem. Defenderei a liberdade sempre, mesmo que isso custe a minha própria liberdade”, escreveu Martins em outra publicação, no Twitter.

Segundo o assessor especial do presidente, a sua posição “limita” o que pode dizer sobre o assunto, mas ele classificou a operação como “inaceitável” e “um verdadeiro atentado contra as liberdades mais fundamentais que deve ser combatido através de todos os meios lícitos”.

O secretário especial da comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, também criticou a operação e voltou seus ataques para veículos da mídia tradicional. “Alguns jornalistas e apoiadores tiveram seus equipamentos de trabalho apreendidos por decisão judicial e não poderão mais veicular, com liberdade de expressão, suas opiniões. Enquanto isso, alguns veículos continuam produzindo fake news diariamente sem serem perturbados”, declarou.

Entre os alvos da ação estão Luciano Hang, dono da Havan, e Edgar Gomes Corona, da rede de academias Smart Fit, o blogueiro Allan dos Santos, do blog Terça Livre e a bolsonarista Sara Winter.

* Com informações do Estadão Conteúdo