Moraes aponta existência de ‘gabinete do ódio’ e financiamento de fake news por empresários
Na decisão que autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão no âmbito do inquérito das fake news, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou indícios de que um grupo de empresários “atua de maneira velada financiando recursos para a disseminação de notícias falsas e conteúdo de ódio” contra integrantes do STF e outras instituições.
O ministro também definiu como “associação criminosa” o grupo conhecido como “gabinete do ódio”, núcleo de assessores que tem forte influência sobre o presidente Jair Bolsonaro e suas redes sociais.
“As provas colhidas e os laudos periciais apresentados nestes autos apontam para a real possibilidade de existência de uma associação criminosa, denominada nos depoimentos dos parlamentares como ‘Gabinete do Ódio’, dedicada a disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às Instituições, dentre elas o Supremo Tribunal Federal, com flagrante conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática”, escreveu Moraes.
O inquérito das fake news foi instaurado por determinação do presidente do STF, ministro Dias Toffoli, para apurar ameaças, ofensas e notícias falsas disseminadas contra integrantes da Corte e seus familiares. O processo é acompanhado com apreensão por Bolsonaro, que teme que as provas colhidas cheguem ao Palácio do Planalto.
A apuração ganhou novo fôlego depois de o STF abrir um inquérito para investigar atos antidemocráticos realizados no mês passado em Brasília. Bolsonaro participou de um deles, diante do quartel general do Exército.
Entre os citados estão empresários que estariam financiando o grupo criminoso; Otavio Fakhoury, financiador do site Crítica Nacional; o humorista Reynaldo Bianchi Júnior; e o coordenador do Bloco Movimento Brasil Winston, Rodrigues Lima.
Na avaliação de Alexandre de Moraes, as provas colhidas na investigação apontam “sérios indícios” de que o grupo praticou os crimes de calúnia, difamação, injúria, associação criminosa e contra a segurança nacional.
“Essas tratativas ocorreriam em grupos fechados no aplicativo de mensagens Whatsapp, permitido somente a seus integrantes. O acesso a essas informações é de vital importância para as investigações, notadamente para identificar, de maneira precisa, qual o alcance da atuação desses empresários nessa intrincada estrutura de disseminação de notícias fraudulentas”, apontou.
A decisão do ministro também destaca os depoimentos prestados pelos deputados federais Alexandre Frota (PSDB-SP) e Joice Hasselmann (PSL-SP), que contaram detalhes sobre o funcionamento do gabinete do ódio.
“Como se vê de tudo até então apresentado, recaem sobre os indivíduos aqui identificados sérias suspeitas de que integrariam esse complexo esquema de disseminação de notícias falsas por intermédio de publicações em redes sociais, atingindo um público diário de milhões de pessoas, expondo a perigo de lesão, com suas notícias ofensivas e fraudulentas, a independência dos poderes e o Estado de Direito”, observou Moraes.
* Com informações do Estadão Conteúdo
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