Clima para negócios na A.Latina caiu para seu pior nível desde 2009

  • Por Agencia EFE
  • 12/02/2015 13h50
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Rio de Janeiro, 12 fev (EFE).- O clima para os negócios na América Latina caiu em janeiro para seu pior nível desde o começo de 2009, quando a região enfrentou os efeitos da crise econômica de então, informou nesta quinta-feira a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O chamado Índice de Clima Econômico (ICE) da América Latina caiu de 80 pontos em outubro do ano passado para 75 no primeiro mês deste ano, segundo a pesquisa realizada trimestralmente pela FGV em associação com o Instituto de Estudos Econômicos da Universidade de Munique entre 1.071 especialistas de 117 países.

O ambiente para os negócios, o pior em seis anos, vem caindo gradualmente na região dos 95 pontos que registrou em janeiro de 2014, e ficou em janeiro 26 pontos abaixo da média dos últimos dez anos (101 pontos).

Segundo a FGV, a piora do clima para os negócios aconteceu tanto pela queda do Índice de Situação Atual (ISA), que reflete a análise conjuntural dos analistas, como pela queda do Indicador de Expectativas (IE), que avalia as previsões dos mesmos para os próximos seis meses.

O Índice de Situação Atual para a região caiu de 88 pontos em janeiro de 2014 para 64 pontos em outubro do ano passado e 58 pontos no primeiro mês de 2015. O Indicador de Expectativas caiu em menor ritmo, de 102 pontos em janeiro de 2014 para 96 pontos em outubro e 92 no mês passado.

“Todos os indicadores estão na zona desfavorável do ciclo econômico e essa piora generalizada mostra um avanço na deterioração do clima econômico”, segundo a FGV.

A queda do clima de negócios na América Latina contrastou com a leve melhoria do mesmo no mundo em geral, de 105 pontos em outubro para 106 pontos em janeiro, impulsionado por um melhor ambiente tanto nos Estados Unidos como na União Europeia, onde o índice saltou de 104 pontos para 113 pontos em três meses, e no Japão.

O estudo atribuiu a queda do índice na América Latina principalmente à piora da avaliação de Bolívia, Colômbia, Equador e México.

O clima para negócios na Bolívia caiu de 124 pontos em outubro para 110 pontos em janeiro, o da Colômbia de 117 para 90, o do Equador de 84 para 80 e o do México de 97 para 84.

“Nos três primeiros países a piora pode estar associada principalmente à queda dos preços dos hidrocarbonetos”, segundo o relatório.

O clima para os negócios melhorou em janeiro em Argentina, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai, e se manteve estável no Brasil e na Venezuela.

Dos 11 países analisados, o que alcançou o melhor indicador em janeiro foi o Peru, com 131 pontos frente a 116 em outubro, “o que indica que a queda nos preços dos metais, associados à menor demanda da China, ainda não é vista como um fator que possa levar o país a uma situação recessiva”.

O Peru foi seguido por Paraguai, onde o índice subiu de 125 pontos para 127; Bolívia (110 pontos) e Uruguai (100 pontos), países que também estão na considerada zona propícia.

Em seguida ficaram Colômbia (90), Chile (85), México (84), Equador (80) e Argentina (63).

O Brasil, onde o indicador permaneceu estável (57 pontos), se mantém como o país com o segundo pior clima para os negócios na América Latina, apenas à frente da Venezuela, onde o índice se mantém em 20 pontos desde julho de 2013.

Sobre o Brasil, o estudo assegura que “os especialistas parecem estar esperando que as medidas de ajuste econômico prometidas (pelo governo) entrem em vigor, apesar de as perspectivas de aumento da inflação, baixo crescimento e problemas no abastecimento de água e energia não ajudarem a melhorar as expectativas”.

Enquanto a alta pontuação do Paraguai e do Uruguai é atribuída ao apoio às políticas adotadas por seus atuais governos, a melhoria na Argentina, apesar de sua crise, foi explicada “pela diminuição da tensão com os fundos abutres e o empréstimo concedido pela China para a construção de projetos de infraestrutura no país”. EFE

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