Democratização de países árabes será “longa” e “sangrenta”, diz Erekat

  • Por Agencia EFE
  • 18/08/2015 18h19
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Santiago (Chile), 18 ago (EFE).- O Oriente Médio vive uma das transições mais difíceis de sua história, e a democratização dos países árabes será um processo “longo” e “sangrento”, disse nesta terça-feira no Chile o secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat.

O líder palestino, que terminou hoje uma visita de cinco dias ao país, opinou em um encontro com correspondentes estrangeiros que o caminho para a paz e a democracia no Oriente Médio será “doloroso” e levará de 30 a 50 anos. Segundo Erekat, isto se deve ao fato de os ditadores que governaram os países árabes, como Saddam Hussein, no Iraque, e Muammar Kadafi, na Líbia, terem deixado essas nações sem instituições e em um estado de “caos” onde surgiram grupos terroristas como o Estado Islâmico (EI).

“Dentro do caos há ordem, e isto é o pior que pode acontecer a qualquer nação, porque as pessoas procuram proteção e a encontram nesse tipo de grupo. Para conseguir a estabilidade no Oriente Médio é preciso democracia. As ideias ruins do EI brigam com ideias boas e a democracia. E os judeus brigam com os palestinos. Para conseguir a paz, não é preciso reinventar a roda ou começar do zero. Ela virá com a solução de dois Estados com as fronteiras de 1967”, disse o líder da OLP.

Erekat, que é o chefe da equipe de negociadores palestinos com Israel, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez “o que foi possível” para conseguir uma solução que contemplasse a criação de um Estado palestino. Mas também disse que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, fez de tudo para “sabotar” os esforços mediadores de Obama.

“Quando nos convidaram a negociar, Netanyahu aumentou em 18% os assentamentos para sabotar esses esforços”, revelou Erekat, que disse que Israel “não respeita os acordos assinados”.

Ele também criticou as recentes nomeações diplomáticas do governo israelense, que nas últimas semanas designou como embaixadores no Brasil, no Reino Unido e nas Nações Unidas políticos que se opõem à criação de um Estado palestino.

“A nomeação destes três embaixadores, que são colonos, demonstra que o governo de Israel é dos colonos e para os colonos”, declarou Erekat, que acrescentou que Netanyahu coloca os assentamentos à frente da paz em sua lista de prioridades. EFE

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