À espera dos juros, dólar vai a R$ 5,57 com inflação; Bolsa recua

Investidores acompanham avanço da prévia do IPCA de outubro ao maior patamar desde 1995; mercado prevê Selic a 8,75% ao fim deste ano com o aumento das pressões inflacionárias

  • 26/10/2021 17h21 - Atualizado em 27/10/2021 11h46
Gary Cameron/ReutersDólar segue viés de alta com mercado de olho nas movimentações em Brasília para a aprovação da PEC dos Precatórios

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro fecharam no campo negativo nesta terça-feira, 26, com a alta da prévia da inflação em outubro e com investidores aguardando a divulgação da taxa de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central nesta quarta-feira, 27. O dólar encerrou com alta de 0,32%, a R$ 5,573. O câmbio chegou a bater a máxima de R$ 5,606, enquanto a mínima não passou de R$ 5,550. A divisa norte-americana encerrou na véspera com queda de 1,27%, cotada a R$ 5,555. Na direção oposta aos principais mercados do mundo, o Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, fechou com queda de 2,11%, aos 106.419 pontos. O pregão desta segunda-feira, 25, fechou com alta de 2,28%, aos 108.714 pontos.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, foi a 1,20% em outubro, acima da alta de 1,14% registrada em setembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o maior resultado para o mês desde 1995, quando o índice chegou a 1,34%, e a maior variação mensal desde fevereiro de 2016 (1,42%). No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 soma 10,34%, e desde o início do ano, a prévia da inflação acumula alta de 8,3%. O Copom define amanhã a nova taxa de juros, atualmente a 6,25% ao ano. O mercado estima que o colegiado acrescente entre 1,25 e 1,50 ponto percentual em meio ao aumento das pressões inflacionárias geradas pela deterioração das projeções econômicas com a mudança no teto de gastos na semana passada. Dados do Boletim Focus, que reúne a expectativa do mercado para a economia, mostram a elevação da projeção da Selic para 8,75% ao fim deste ano, e 9,5% em 2022.

Ainda na pauta econômica, o mercado de trabalho brasileiro criou 313.902 vagas formais ante demissões em setembro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Previdência. No acumulado de 2021, o país criou 2.512.937 empregos formais. O resultado veio abaixo da expectativa do mercado e mostra a desaceleração na criação de vagas ante os 368.091 postos com carteira assinada criados em agosto. Na parte da tarde, a Receita Federal divulgou a arrecadação de R$ 149,1 bilhões em setembro, com aumento real de 12,87% em comparação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado desde janeiro, a soma chega a R$ 1.348,831 trilhão, com aumento real de 22,3%. Segundo o governo federal, estes foram os melhores resultados para o mês e o período desde 1995, o início da série histórica.

O mercado também segue acompanhando os desdobramentos em Brasília para a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios na Câmara dos Deputados. Até o fechamento do mercado, a proposta ainda estava na ordem do dia, apesar da resistência da oposição. O parecer do relator, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), já foi aprovado pela comissão especial da Câmara na última quinta-feira, 21. O texto determina um limite aos pagamentos das dívidas reconhecidas da União, traz mudanças no teto de gastos e permite a abertura de R$ 83 bilhões no Orçamento de 2022 para o custeio do Auxílio Brasil.