A investidores, Campos Neto diz que IPCA de setembro ‘foi melhor do que o esperado’

Durante evento, presidente do Banco Central afirmou que a alta da inflação não é um fenômeno restrito ao Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 08/10/2021 15h39 - Atualizado em 08/10/2021 16h34
Raphael Ribeiro/BCB Roberto Campos Neto Presidente do BC participou de evento para investidores nesta sexta-feira, 8

Durante sua participação em um evento para investidores organizado pelo Itaú BBA, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, analisou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 1,16% em setembro foi melhor do que o esperado. Entretanto, ele admitiu que foi pior do que o projetado pelo Banco Central há um mês. “Há sinais mistos no IPCA do mês passado. A inflação de serviços nos IPCA de setembro foi um pouco melhor que a esperada, mas persistiram efeitos em alimentos e energia”, afirmou Campos Neto, que também destacou que há uma queda nos indicadores de confiança dos consumidores: “Muitas pessoas ainda não recuperaram seus empregos, e isso está se refletindo nos indicadores de confiança”. O presidente do BC também citou que a alta da inflação é um fenômeno que não está restrito ao Brasil. “Há grande surpresa de inflação em países desenvolvidos, com uma onda de alta de preços de energia. Essa crise de energia começa a abater a Europa, e os preços devem subir”, analisou, citando que as projeções de crescimento em diversos países avançados e emergentes estão sendo revisadas para baixo.

O presidente também falou sobre o preço da energia, dizendo que os valores estão subindo em todo mundo, com países com taxas de inflação similares às do Brasil. “E o Brasil está no topo. A inflação brasileira está muito alta, mas há países próximos de Brasil. As expectativas de inflação subiram bastante para 2021, e podem piorar por reajuste de gasolina”, afirmou Campos Neto. Além disso, o presidente do BC também afirmou que o deslocamento da demanda de serviços para bens que foi observado durante a pandemia de Covid-19 tende a ser persistente, mesmo diante da reabertura da economia em diversos países. “A maioria das economias estão reabertas e a esperada passagem da alta de preços de bens para serviços não tem sido observada. Temos vários programas emergenciais expirando agora em vários países e precisamos ver qual será o impacto disso. Talvez haja algo mais estrutural e permanente nessa mudança de consumo de serviços por bens”, analisou Neto.