Banco Central reduz previsão do PIB para 2021 e corta pela metade a estimativa de 2022

Projeção de alta para este ano foi alterada de 4,7% para 4,4%, enquanto em 2022 a expectativa foi revista de 2,1% para 1%

  • Por Jovem Pan
  • 16/12/2021 10h16
Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas Notas de 100 reais Aumento do salário mínimo é baseado na variação do INPC

O Banco Central (BC) reduziu as expectativas para o desempenho da economia brasileira em 2021 e 2022, segundo informações do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgadas nesta quinta-feira, 16. Para este ano, a autoridade monetária passou a enxergar o Produto Interno Bruto (PIB) em 4,4% — contra previsão de 4,7% em setembro. Já a estimativa de 2022 foi cortada em mais da metade, passando de 2,1% para 1%. A estimativa do BC para este ano se mantém próxima do esperado pelo mercado, que prevê alta de 4,65%, segundo dados do Boletim Focus, que reúne as expectativas de mais de uma centena de bancos, casas de investimentos e outras instituições. Para 2022, porém, a previsão dos analistas é para avanço de 0,5% — com opiniões mais pessimistas apontando para uma retração econômica. A economia brasileira dá sinais de perda de fôlego após entrar o ano em ritmo de recuperação. Em 2020, o PIB registrou queda de 3,9%, segundo dados revisados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para este ano, projeções chegaram a apontar alta acima de 5% — patamar ainda defendido pelo Ministério da Economia. A escalada da inflação, o aumento dos juros e fatores climáticos, no entanto, frearam as atividades. O PIB registrou queda de 0,1% no terceiro trimestre em comparação aos três meses anteriores. O resultado intensificou a queda de 0,4% entre abril e junho, ante alta de 1,2% nos três primeiros meses do ano.

Segundo o Banco Central, apesar de ligeiras elevações nas variações das atividades no primeiro semestre deste ano, os dados do terceiro trimestre vieram piores do que o esperado, o que gera impacto também nas projeções do desempenho do próximo ano. “Corroborando a evolução menos favorável da atividade, os indicadores de confiança de empresários e consumidores, particularmente relevantes para entender a atividade ao longo do trimestre corrente, recuaram nos últimos meses. Dessa forma, o resultado abaixo do esperado no terceiro trimestre e a piora nos prognósticos para o quarto reduzem a projeção de crescimento para 2021 e o carregamento estatístico para 2022”, informou a autoridade monetária. No âmbito da produção, o BC reduziu as previsões de crescimento em 2021 para os três setores. A projeção para a agropecuária passou de crescimento de 2% para recuo de 0,6%, influenciada pela queda de 8% no terceiro trimestre, mais intensa do que se previa. Na indústria, a expectativa de crescimento recuou de 4,7% para 4,1%, com piora nas projeções para o segmento de transformação e para a produção e distribuição de eletricidade, gás e água, parcialmente compensada por melhora no prognóstico de crescimento da construção. A projeção para o setor de serviços em 2021 recuou de 4,7% para 4,6%, apesar da relativa estabilidade no setor.

Já para 2022, a previsão foi cortada em mais da metade pelas “surpresas negativas” dos últimos dados, que sugerem perda de dinamismo da atividade e reduzem o carregamento estatístico para o ano seguinte. O otimismo também foi pressionado por novas elevações da inflação, parcialmente associadas a choques de oferta, e o aumento no risco fiscal. No lado oposto, a autoridade monetária destacou que o arrefecimento da pandemia do novo coronavírus observado no Brasil e o aumento das interações sociais devem dar impulso à economia nos próximos meses, principalmente ao setor de serviços. O Banco Central também citou como ponto positivo os prognósticos favoráveis para a agropecuária, com expectativa de altas expressivas na produção agrícola, especialmente das culturas mais afetadas por problemas climáticos em 2021.