Banco Central vê inflação acima de 10% em 2021 e superando a meta em 2022

Nova projeção representa quase o dobro do teto da meta para este ano e leva o IPCA ao maior registro desde 2015

  • Por Jovem Pan
  • 16/12/2021 09h20
Adriano Machado/Reuters Homem passa em frente ao prédio do Banco Central em Brasília Banco Central acelerou a alta dos juros em meio ao aumento das perspectivas da inflação

O Banco Central (BC) afirmou nesta quinta-feira, 16, que a inflação doméstica deve encerrar 2021 com alta de 10,2%, quase o dobro do teto da meta de 5,25% perseguida pela autoridade monetária — com centro de 3,75% e piso de 2,25%. Será o maior registro para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde 2015, quando foi a 10,67%. Para o ano que vem, o BC prevê a inflação em 4,7%, próxima do teto da meta de 5%, com centro de 3,5% e mínimo de 2%. Já para 2023, as estimativas apontam para alta de 3,2% — ano com meta de 3,25% e margens de 1,75% e 4,75%. As informações constam no Relatório Trimestral de Inflação (RTI). Na edição anterior, divulgada em setembro, o Banco Central projetava o IPCA de 2021  a 8,5%, enquanto a estimativa para o ano que vem era de 3,7%. Segundo a autoridade monetária, o cenário considera a trajetória de juros com a alta de 9,25% ao ano em 2021 — o maior patamar desde 2017 —, e a manutenção da escalada para 11,75% ao longo de 2022, terminando o ano em 11,25%. Para 2023, o BC prevê a Selic a 8% ao ano.

A estimativa atualizada do Banco Central se aproxima ao esperado pelo mercado. Projeção do Boletim Focus, que reúne as previsões de mais de uma centena de bancos, casas de investimento e outras instituições, aponta para o IPCA a 10,05% ao fim deste ano, enquanto para 2022 a estimativa é de 5,02%. O IPCA perdeu fôlego em novembro ao registrar alta de 0,95%, ante 1,25% em outubro. No acumulado de 12 meses, no entanto, o medidor oficial da inflação doméstica acelerou para 10,74% — o maior registro em 18 anos —, contra 10,67% no mês anterior. “A inflação ao consumidor continua persistente e elevada. A alta dos preços surpreendeu mais uma vez no trimestre encerrado em novembro, com variação 1,42 p.p. acima do cenário básico apresentado no Relatório de Inflação anterior”, informou o BC. A alta do mês foi puxada pelo encarecimento dos combustíveis e da energia elétrica, os principais vilões da inflação em 2021. No RTI, o Banco Central também pontuou que a pressão sobre os preços de bens, causada principalmente pela falta de insumos, não arrefeceu, enquanto a inflação de serviços se mostra elevada em meio à normalização das atividades. “Há preocupação com a magnitude e a persistência dos choques, com seus possíveis efeitos secundários e com a elevação das expectativas de inflação, inclusive para além do ano-calendário de 2022”, informou a autoridade monetária.