Bolsonaro diz que combustíveis devem subir a partir de amanhã e nega interferência na Petrobras

Presidente afirma que governo fará ‘tudo para não perder a confiança do mercado’; Guedes fala que estatal é ‘veneno que pode virar vacina’ e defende novo modelo de privatização

  • Por Jovem Pan
  • 24/10/2021 13h24 - Atualizado em 24/10/2021 15h06
ANTONIO MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO - 07/10/2021 Presidente falou sobre aumento no preço dos combustíveis neste domingo

Em fala ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, neste domingo, 24, o presidente Jair Bolsonaro falou sobre o aumento no preço dos combustíveis e afirmou que o governo federal não vai interferir nos preços da Petrobrás. “Alguns querem que a gente interfira no preço. A gente não vai interferir no preço de nada. Já foi feito no passado e não deu certo. Infelizmente, pelo número do preço do petróleo lá fora e do dólar aqui dentro, nos próximos dias, a partir de amanhã, infelizmente, teremos reajustes nos combustíveis”, afirmou. Bolsonaro conversou com a imprensa ao sair de um evento no Parque de Exposições da Granja do Torto, em Brasília, e um trecho da fala dos dois foi divulgado no canal do próprio Jair Bolsonaro. O mandatário atribuiu os aumentos ao “preço do fique em casa” pregado durante a pandemia e afirmou que “teria privatizado muito mais” se o país não fosse tão burocrático para isso.

Guedes, por sua vez, considerou a Petrobras “um veneno que pode virar vacina” se o monopólio das estatais for quebrado no Brasil. “Cada vez que o petróleo sobe, o combustível sobe, ela tem um resultado melhor. Se nós levarmos a Petrobras para um novo mercado, por exemplo, que é o que está acontecendo com a Eletrobras, vocês não tenham dúvidas, problemas de crise hídrica, crise de combustível, tudo isso, foram de monopólios estatais por 30 ou 40 anos. Nós estamos andando nessa direção. estamos fazendo Eletrobras, fazendo Correios, e eu estou propondo inclusive isso: vamos transformar esse veneno em uma vacina. É igual a soro antiofídico”, afirmou. O ministro disse que considera a privatização da empresa e lembrou que o setor não tem competição. “Nós temos ferramentas. O importante é que a gente prossiga com as reformas”, disse.