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Macroeconomia

Brasil ‘não entrará em nenhuma guerra comercial’ por tarifas dos EUA ao aço, diz Padilha

Trump determinou, na segunda-feira (10), a adoção de tarifas alfandegárias de 25% às importações de aço e alumínio, que irão afetar o Brasil, o 2º maior exportador de aço para os EUA; entidades brasileiras se manifestam

Felipe Cerqueira

Donald Trump
Trump dá entrevista coletiva após colisão de avião de passageiros com helicóptero do Exército EFE/EPA/WILL OLIVER

O Governo Federal afirmou, nesta terça-feira (11), que “não entrará em nenhuma guerra comercial” em retaliação às tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às importações de aço. “O Brasil não estimula e não entrará em nenhuma guerra comercial”, disse o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, a repórteres após um evento em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os Estados Unidos. “O presidente Lula tem dito sempre e com muita clareza: ‘guerra comercial não faz bem para ninguém'”, enfatizou Padilha. Na segunda-feira, o presidente americano, Donald Trump, determinou a adoção de tarifas alfandegárias de 25% às importações de aço e alumínio, que vão entrar em vigor em 12 de março, “sem exceções, nem isenções”.

Estas tarifas vão afetar duramente o Brasil, segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos, atrás apenas do Canadá. Sessenta e dois por centro das exportações brasileiras de aço entre janeiro e setembro de 2024 tiveram como destino os Estados Unidos, segundo dados do Instituto Aço Brasil, que reúne as empresas produtoras.

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As declarações de Padilha divergem das dadas pelo próprio Lula, que no fim de janeiro prometeu “reciprocidade” diante de eventuais tarifas cobradas pelo governo Trump aos produtos brasileiros. “É muito simples: se ele taxar os produtos brasileiros, haverá reciprocidade do Brasil em taxar os produtos que são exportados dos Estados Unidos”, disse Lula na ocasião. Padilha baixou o tom nesta terça-feira. “Sempre seremos favoráveis a que se fortaleça cada vez mais o livre comércio”, disse.

Instituto Aço Brasil, Amcham e AGL Cargo

Sessenta e dois por centro das exportações brasileiras de aço entre janeiro e setembro de 2024 tiveram como destino os Estados Unidos, segundo dados do Instituto Aço Brasil, que reúne as empresas produtoras. A entidade recebeu “com surpresa” a modificação de um acordo no primeiro mandato de Trump (2017-2021), que permitia exportar 4,1 milhões de toneladas sem tarifas.

A Câmara Americana e Comércio para o Brasil (Amcham) pediu “uma solução negociada para preservar o comércio bilateral”, que bateu recordes nos últimos anos. Segundo a instituição, em 2024 a balança comercial registrou superávit de 7,3 bilhões de dólares (R$ 42,1 bilhões) a favor dos Estados Unidos, o segundo destino das exportador brasileiras.

Em seu primeiro mandato, Trump já havia imposto tarifas de 25% sobre o aço, mas em seguida recuou parcialmente. Seu governo “criou um programa de cotas” sem tarifas alfandegárias “justamente para permitir a importação de aço e alumínio destes países, justamente por causa da falta de poder da indústria americana em atender a demanda”, explicou Jackson Campos, da empresa de exportação brasileira AGL Cargo. Campos antecipou uma “negociação diplomática” por parte do Brasil para tentar flexibilizar as tarifas.

Canadá, México e UE

Mais cedo, o Canadá antecipou que dará uma resposta “firme e clara” às tarifas impostas por Trump. Enquanto isso, o México, terceiro maior fornecedor de aço para os Estados Unidos, pediu para Trump não “destruir” a integração comercial da América do Norte com esta medida.

A União Europeia, por sua vez, anunciou que adotará medidas “firmes e proporcionais”. Os Estados Unidos são o segundo maior mercado de exportação para os produtores europeus, respondendo por 16% de suas exportações totais em 2024.

*Com informações da AFP
Publicado por Carolina Ferreira

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