Cenário pós-guerra pode criar oportunidades para o Brasil, diz Campos Neto

Presidente do Banco Central afirma que um dos efeitos do conflito no Leste Europeu será a divisão global entre sociedades democráticas e outras nações

  • Por Jovem Pan
  • 07/04/2022 15h28 - Atualizado em 07/04/2022 15h39
FáTIMA MEIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Roberto Campos Neto olhando para frente Presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirma que mudanças globais levarão ao aumento da inflação e à queda da produtividade

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nesta quinta-feira, 7, que a divisão global após o fim da guerra no Leste Europeu pode trazer benefícios para o Brasil. Segundo o chefe da autarquia monetária, um dos efeitos do conflito na Ucrânia será a criação de um bloco de países democráticos e outro com as demais nações. “O mundo ocidental vai precisar de um país que consiga energia barata e limpa, e o Brasil é um grande candidato”, afirmou. O presidente do BC participou de um evento virtual promovido pela Legend Wealth Management e Legend Investimentos.

Campos Neto também apontou mudanças nas cadeias globais de valor com o término da guerra com países buscando diminuir a dependência de exportações. Para ele, essa nova realidade deve levar à queda da produtividade e ao aumento da inflação em escala mundial. Apesar dos efeitos negativos, ele disse que o país também pode se beneficiar. “O Brasil é um grande candidato a participar dessa cadeia global de valor na parte de produção de manufaturados e insumos de uma forma diferente do que vinha participando até então”.

Apesar dos efeitos negativos no crescimento econômico global, as expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil devem ser revisadas para cima “nas próximas semanas ou meses”, disse. Atualmente, as projeções apontam para alta de 0,5%. “Não que será um crescimento muito grande, mas achamos que os ingredientes que tem na mesa hoje, mesmo com o efeito da guerra, vão levar a uma revisão na expectativa ligeiramente para acima desse número.”

Ao comentar a recente entrada de capital estrangeiro que levou o dólar ao menor patamar em mais de dois anos, o presidente do BC citou a antecipação do Brasil na escalada dos juros, a melhora da percepção da política fiscal e a resiliências das empresas domésticas em lidar com pressões inflacionárias. “Se seguirmos de fato com essa melhora de fundamentos, fazendo as entregas e passando uma comunicação que somos favoráveis a esse mundo de mercado e livre investimento, o dinheiro eventualmente vem”, afirmou.