Contas do governo têm rombo de R$ 35 bilhões em 2021, o melhor resultado em oito anos

Dados da Secretaria do Tesouro Nacional mostram que saldo representa 0,4% do PIB brasileiro

  • Por Jovem Pan
  • 28/01/2022 14h54 - Atualizado em 28/01/2022 18h09
Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas Cédulas de R$ 100 espalhadas Valores ficam disponíveis para resgate por um ano após a compra

As contas do governo central — que inclui o Tesouro Nacional, o Banco Central (BC) e a Previdência Social — registraram déficit de R$ 35,1 bilhões em 2021, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 28, pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). O déficit ocorre quando a receita está abaixo das despesas, ou seja, a diferença entre o que entrou e saiu do caixa ficou negativa. Este é o melhor resultado para as contas do governo desde 2013. Inicialmente, os dados mostraram que 2021 havia sido o melhor resultado desde 2014, mas a informação foi corrigida. Em 2020, o saldo fechou com déficit de R$ 743,3 bilhões. Segundo o Ministério da Economia, o déficit equivale a 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB). “O desempenho veio bem melhor que as expectativas oficiais e de mercado que, por volta de abril do ano passado, projetavam déficit superior a 3% do PIB. Esse resultado chama ainda mais atenção quando se considera a necessidade de expansão fiscal realizada em 2020, momento no qual diversas medidas de combate aos efeitos da pandemia precisaram ser adotadas”, informou o Tesouro.

Em termos reais, no acumulado no ano, a receita líquida registrou aumento de 21,2% (+R$ 289,1 bilhões), enquanto a despesa total diminuiu 23,6% (R$ 522,2 bilhões). Em nota, o governo federal afirmou que o resultado é reflexo do aumento da arrecadação em 2021. O Tesouro também destacou que foram gastos R$ 120,8 bilhões no enfrentamento à Covid-19 no ano passado, equivalente a 1,4% do PIB. “Esses resultados reafirmam a tendência de controle nas despesas do Governo Central iniciado desde 2016, quando foi promulgada a regra do Teto de Gastos”, informou. “Não fosse essa regra, o resultado do Governo Central poderia ser, teoricamente, inferior em quase 10 vezes, já que a meta de resultado primário do ano, com todas as compensações previstas, permitia um déficit de mais de R$ 330 bilhões”.