‘Desemprego deve piorar antes de melhorar’, diz presidente do BC

Campos Neto afirmou estar otimista com a recuperação da economia, mas destacou que o governo não pode descuidar da área fiscal

  • Por Jovem Pan
  • 16/07/2020 18h05 - Atualizado em 16/07/2020 18h07
ITACI BATISTA/Estadão ConteúdoTaxa oficial de desemprego no Brasil subiu para 12,9% no trimestre encerrado em maio, atingindo 12,7 milhões de pessoas

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quarta-feira, 16, que o desemprego causado pela Covid-19 provavelmente vai “piorar antes de melhorar”. Segundo ele, esta é a pior consequência da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

As contas externas, que também foram impactadas, deverão apresentar melhoras, na avaliação do presidente do BC. No entanto, apesar dos indicadores apresentarem sinais de recuperação, Campos Neto admitiu que alguns ainda estão frustrantes. “A recuperação de serviços frustrou um pouco. Entendíamos que os números de serviços ligados à indústria e à área de tecnologia viriam melhor”, acrescentou.

Fiscal

Ele disse estar otimista com a recuperação da economia, mas destacou que o governo não pode descuidar da área fiscal. Campos Neto ressaltou que existe hoje um “ambiente de convivência saudável” com um nível de dívida maior. “Todo mundo entende o desvio do ajuste fiscal, temos que mostrar convergência futura”, completou.

Para o presidente do BC, a saída da crise pode não ser organizada, com pressão política para a manutenção de gastos. Em relação à agenda pós-pandemia, ele disse que deve seguir forte com os planos de competição e inovação e avançar no Open Banking. “Temos que voltar o debate legislativo para a modernização do câmbio”, completou.

Mercado secundário

Campos Neto afirmou que o BC está “totalmente preparado” para operar na compra de títulos no mercado secundário. Esta é uma das ferramentas aprovadas recentemente no Congresso para que a autarquia possa atuar durante a crise gerada pela pandemia. Ele pontuou, ao mesmo tempo, que a atuação do BC servirá mais como um estabilizador de mercado, sem ter tanta característica de quantitative easing (QE, ou afrouxamento quantitativo).

O presidente do BC pontuou ainda que a experiência trazida por outros países é a de que “quando você começa a usar veículos não convencionais, não tendo exaurido os convencionais, gera perda de credibilidade”. Ele participou nesta quinta-feira do evento virtual “Perspectivas para a Economia Brasileira e o Sistema Bancário”, promovido pelo Itaú.

* Com informações do Estadão Conteúdo