Dólar avança com inflação acima do esperado em março; Bolsa recua

IPCA vai a 1,6% e bate o maior registro para o mês em 28 anos; em 12 meses, variação de preços acumula alta de 11,3%

  • Por Jovem Pan
  • 08/04/2022 10h39
Gary Cameron/Reuters Cédula de dólar Dólar abriu sexta-feira em queda, mas inverteu o sinal após inflação acima do esperado

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro voltaram ao campo negativo nesta sexta-feira, 8, após dados da inflação em março virem acima do esperado. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 1,62% — o maior patamar para o mês em 28 anos. A estimativa dos analistas era de avanço de 1,35%. No cenário internacional, investidores seguem analisando os impactos do aperto monetário nos Estados Unidos e os impactos na desaceleração econômica. Por volta das 10h30, o dólar registrava alta de 0,3%, a R$ 4755. O câmbio abriu em queda e chegou na mínima de R$ 4,716, enquanto a máxima não passou de R$ 4,764. A divisa norte-americana encerrou na véspera com avanço  de 0,55%, a R$ 4,740. Apesar da sequência de altas, o dólar caminha para fechar a semana em queda ante o real. O Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, operava com recuo de 0,76%, aos 117.960 pontos. O pregão desta quinta-feira, 7, fechou com alta de 0,5%, aos 118.862 pontos.

inflação voltou a ganhar força em março ao registrar alta de 1,62%, contra avanço de 1,01% em fevereiro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, puxado pelo encarecimento dos combustíveis e dos alimentos, fez o acumulado em 12 meses subir para 11,3%, acima do patamar de 10,54% observado no período encerrado no mês anterior. É a maior taxa de 12 meses acumulados em fevereiro em 19 anos, quando registrou 16,57%. Os dados já trazem os impactos da guerra no Leste Europeu na variação de preços, principalmente de commodities energéticas e agrícolas.

Na pauta internacional, os mercados seguem analisando os efeitos da indicação de alta de 0,5 ponto percentual nos juros dos EUA pelo Federal Reserve (Fed), segundo a ata do Federal Open Market Committee (FOMC) divulgada na quarta-feira, 6. O colegiado também sinalizou que deve retirar US$ 95 bilhões por mês da economia com a redução de títulos. O movimento ocorre em meio ao avanço da inflação dos EUA aos patamares mais elevados em quatro décadas e com novas pressões com as sanções à Rússia. O endurecimento da política monetária e os seus efeitos na desaceleração das atividades fazem com que analistas comecem a prever recessão na maior economia do globo. O Deutsche Bank foi a primeira grande instituição a alertar para a retração econômica entre o fim de 2023 e início de 2024.