Dólar cai com melhora do cenário global e à espera da alta de juros pelo BC; Bolsa sobe

Mercados em todo o mundo reavaliam as percepções sobre o risco da nova variante na retomada da economia

  • Por Jovem Pan
  • 07/12/2021 18h19 - Atualizado em 07/12/2021 22h00
ITACI BATISTA/ESTADÃO CONTEÚDODólar recua com aumento da exposição ao risco dos investidores

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro fecharam no campo positivo nesta terça-feira, 7, com a melhora da percepção global sobre os riscos da variante Ômicron da Covid-19 e com investidores à espera da alta dos juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). O dólar fechou com queda acentuada de 1,26%, cotado a R$ 5,618. A divisa chegou a bater a máxima de R$ 5,673, enquanto a mínima não passou de R$ 5,615. A sessão desta segunda-feira, 6, encerrou com a moeda cotada R$ 5,690, com alta de 0,18%. Seguindo o bom humor dos mercados internacionais, o Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, avançou 0,65%, aos 107.557 pontos. O pregão da véspera encerrou com alta de 1,79%, aos 106.954 pontos.

Mercados em todo o mundo passaram a reavaliar os riscos da variante Ômicron do novo coronavírus no processo de recuperação da economia global. Os dados mais recentes apontaram que a nova cepa pode escapar das vacinas já autorizadas, mas que os efeitos da doença não são mais severos do que os das mutações que já circulam pelo mundo. O alívio das tensões deixaram os investidores mais propensos ao risco, favorecendo os mercados emergentes, como o brasileiro, e pressionando o dólar para baixo. Ainda na pauta internacional, números divulgados pelo governo da China nesta terça-feira mostraram o aumento acima do esperado para as exportações e importações, indicando que a segunda maior economia do mundo — e principal parceiro comercial do Brasil — segue em ritmo acelerado de consolidação pós-pandemia.

No cenário local, investidores aguardam pela divulgação da nova taxa de juros pelo BC nesta quarta-feira, 8. O consenso dos analistas é por uma nova alta de 1,5 ponto percentual na Selic, elevando a taxa básica de juros da economia brasileira para 9,25% ao ano. Caso se confirme, vai ser o maior patamar na passagem de um ano para o outro desde o fim de 2016, quando a Selic foi a 13,75%. A expectativa é que a aceleração dos juros continue em 2022 e que a Selic vá para acima de 11% ao fim do primeiro trimestre do próximo ano. Também em Brasília, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) confirmou que a votação da prorrogação da desoneração da folha de pagamento será pautada no plenário nesta quinta-feira, 9. A medida, com apoio do governo federal, é apontada como fundamental para impulsionar o mercado de trabalho do país. A proposta prorroga a desoneração da folha até 2023 para os 17 setores que mais geram emprego no Brasil, totalizando cerca de 6 milhões de vagas.

Pacheco também revelou que vai se reunir com o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), ainda nesta terça-feira, para buscar soluções à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios. O texto, que abre R$ 106,1 bilhões no Orçamento de 2022 e é fundamental para o financiamento do Auxílio Brasil de R$ 400, foi aprovado nas duas Casas. No entanto, com as modificações chanceladas pelos senadores, a PEC deve voltar à Câmara e passar novamente por votações na CCJ e no plenário, o que se torna praticamente inviável com o recesso parlamentar que começa no próximo dia 22. Uma das soluções encontradas pelas lideranças foi o fatiamento da PEC para promulgar os trechos em comum aprovados por senadores e deputados, e deixar a votação da outra parte em 2023. “A solução da PEC dos Precatórios significa o embasamento e espaço fiscal necessário para o programa social Auxílio Brasil, então todos nós entendemos o senso de urgência e da importância de resolver isso”, disse.