Dólar e Bolsa recuam com cautela internacional e após falas de Campos Neto sobre inflação

Investidores também aguardam por divulgação de dados da inflação ao consumidor nos EUA nesta terça-feira

  • Por Jovem Pan
  • 11/04/2022 17h55 - Atualizado em 11/04/2022 17h56
ITACI BATISTA/ESTADÃO CONTEÚDO Cédulas de dólar e real espalhadas Dólar recua após Campos Neto comentar sobre inflação acima do esperado em março

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro fecharam em queda nesta segunda-feira, 11, com investidores analisando as falas do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, sobre a alta da inflação acima do esperado em março e as análises para possíveis mudanças na trajetória de juros. No mercado internacional, o mercado segue cauteloso com a expectativa de novas sanções à Rússia e à espera de dados da inflação dos Estados Unidos. O dólar caiu 0,4%, a R$ 4,690 após oscilar durante a maior parte do dia. A divisa foi na máxima de R$ 4,740, enquanto a mínima não passou de R$ 4,679. O câmbio encerrou a semana passada com baixa de 0,67%, a R$ 4,708. Impactado pelo clima internacional negativo, o Ibovespa, referência da Bolsa de Valores, fechou com retração de 1,16%, aos 116.952 pontos. O pregão de sexta-feira, 8, fechou com recuo de 0,45%, aos 118.332 pontos.

O salto de 1,62% em março e o acumulado de 11,3% em 12 meses do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pegou o Banco Central de surpresa, afirmou Campos Neto nesta manhã. O resultado foi o maior para o mês em 28 anos. Segundo o presidente, a maior surpresa veio por parte dos combustíveis.  “Neste último número, grande parte da surpresa foi essa, e mais do que a surpresa em si, foi a aceleração da passagem do preço da gasolina para a bomba. Vimos uma aceleração diferente do que vinha até então”, afirmou. O presidente do BC admitiu que o número está pressionado e que a autoridade monetária foca na estabilização da variação. “A realidade é que a nossa inflação está muito alta, os núcleos estão muito altos. Temos comunicado com a maior transparência possível o nosso processo de enfrentamento em relação a essa inflação mais alta e persistente”, disse. O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic de 10,75% para 11,75% na última reunião, e deixou contratada nova alta de 1 ponto percentual no encontro do próximo mês. A aceleração da IPCA fez analistas revisarem para cima a trajetória de alta dos juros. “Estamos analisando essa surpresa e vendo se muda alguma coisa na tendência.”

No cenário internacional, líderes das relações internacionais da Europa se reúnem para debater novas sanções à Rússia. Nesta rodada, não está descartado embargos à compra de petróleo do país, o segundo maior exportador do mundo. Ainda na pauta global, nesta terça-feira, 12, serão divulgados dados do índice de preços aos consumidores nos EUA (CPI, na sigla em inglês). A expectativa do mercado é para nova alta do indicador para acima de 8%. O CPI foi a 7,9% no acumulado em 12 meses em fevereiro, o maior patamar em quarenta anos. O avanço da inflação fez o Federal Reserve (Fed) subir os juros em 0,25 ponto percentual no mês passado. As recentes pressões geradas pelos combates no Leste da Europa levaram a autoridade monetária a indicar alta de 0,5 ponto percentual nos próximos dois encontros.