Dólar tem forte alta e fecha acima de R$ 5 pela primeira vez

  • Por Jovem Pan
  • 16/03/2020 17h36 - Atualizado em 16/03/2020 18h53
BRUNO ROCHA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDODólar nesta terça-feira (23)

Após corte surpresa na taxa de juros dos Estados Unidos e diversos países fechando fronteiras devido ao avanço da pandemia de coronavírus, o dólar fechou em alta de 5,16%, cotado a R$ 5,0612. Já a Ibovespa, após registrar o quinto circuit breaker em seis pregões, fechou em queda de quase 14%.

Dólar e Euro

A alta do dólar é a maior de um dia para o outro desde o dia 18 de maio de 2017, quando a moeda norte-americana subiu 8,15% após a divulgação de áudios do empresário Joesley Batista contra o então presidente Michel Temer.

Também em alta, o euro fechou cotado a R$ 5,596, o maior valor nominal já registrado na história.

Bolsa

A Ibovespa fechou aos 71.168,05 pontos, após um circuit breaker já no começo do dia. Este é o menor nível da Bolsa de São Paulo desde o dia 27 de junho de 2018, quando fechou aos 70.609 pontos.

O resultado seguiu os das bolsas ao redor do mundo. Na Europa, as bolsas caíram mais de 8% e fecharam no menor nível desde 2012. O pior resultado aconteceu em Madrid, capital da Espanha, país europeu com o segundo maior número de casos de coronavírus.

Na Ásia, as bolsas da China, Austrália, Japão e Coreia do Sul também fecharam o dia em queda.

Nos Estados Unidos, houve piora dos índices de ações de Nova York, com perdas na casa de 12% em Wall Street, durante entrevista coletiva do presidente dos EUA, Donald Trump, na qual admitiu a possibilidade de recessão no país e que considera medidas adicionais contra o coronavírus, como a possibilidade de adotar toque de recolher em algumas regiões.

Análises

Ao sabor de um noticiário inchado pelo coronavírus, a reação natural é de aversão a risco. “O ‘candle’ ficou longo, para cima e para baixo, de forma que, subindo muito e depois caindo muito, o índice fica relativamente de lado dentro de uma margem de variação alongada”, diz Renato Chain, estrategista da Arazul “A volatilidade está aí: como pode uma ação subir 19% na sexta e cair hoje 18% se os fundamentos são os mesmos? Isso reflete o grau de insegurança, tanto sobre os efeitos nas diferentes cadeias de negócio como também na reação que a sociedade brasileira dará (ao coronavírus)”, observa Maurício Pedrosa, gestor da Áfira Investimentos.

As iniciativas tomadas por governos e autoridades monetárias ao redor do mundo para tranquilizar os mercados parecem estar produzindo o efeito oposto, com os investidores reagindo com alarme a cada nova iniciativa sanitária, fechamento de países a estrangeiros – França, Rússia, Canadá, Chile e Argentina entraram no grupo dos isolacionistas -, injeção de liquidez ou atuação dos BCs sobre os custos de crédito.

“Quando o Fed corta os juros a zero no domingo, algo muito grave está acontecendo”, diz Chain. A iniciativa do BC americano no fim de semana, ao trazer a taxa de juros de referência dos EUA à faixa de zero a 0,25% ao ano, levou o mercado de renda fixa brasileiro a precificar um movimento mais ambicioso para o Copom desta quarta-feira – e mesmo a possibilidade de um corte extraordinário, antes da reunião.

O padrão anômalo que o coronavírus impôs às economias e aos mercados globais dificulta a tarefa dos investidores de mensurar efeitos sobre a atividade produtiva e os ativos. “Há indicação de que ratings poderão ser afetados, em função da situação de geração de caixa de certos setores, que prejudica o cumprimento de compromissos financeiros”, diz Pedrosa.

“Em meio à tamanha incerteza, o day trader, o operador de volatilidade, prevalece sobre quem olha fundamento, na formação imediata dos preços”. “Quando voltar a prevalecer de forma mais clara a distinção fundamental entre preço e valor, os setores menos expostos aos efeitos da epidemia tendem a ser os primeiros a se recuperar; mas, de forma geral, podemos esperar efeitos negativos entre dois e três trimestres”, acrescenta o gestor da Afira.

Crise nas companhias aéreas

A queda da bolsa de São Paulo foi puxada pelas companhias aéreas, muito afetadas pela pandemia de coronavírus. Azul cedeu 36,87%, CVC caiu 32,25%, Smiles perdeu 28,20% e Gol, 28,02%, refletindo a pressão a que o setor de viagens e turismo tem sido submetido desde o início da crise do coronavírus.

Entre as blue chips, Petrobras PN caiu 15,00%, enquanto a ON cedeu 17,21%; Vale ON perdeu 9,00%. No mês, o Ibovespa cai 31,68% e, no ano, perde 38,46%. Em dia de vencimento de opções sobre ações, o giro financeiro totalizou R$ 52,9 bilhões na sessão. Nenhum componente do Ibovespa encerrou o dia em alta. Na mínima, o índice foi hoje a 70.854,82 pontos, saindo de máxima a 82.564,88 pontos.

*Com Estadão Conteúdo