Dólar fecha estável com aumento de tensão na Europa; Bolsa registra leve alta

Câmbio e Ibovespa perdem fôlego com escalada do risco de invasão da Ucrânia por tropas russas

  • Por Jovem Pan
  • 11/02/2022 18h38
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Antara Foto/Hafidz Mubarak/via Reuters Mão segura diversas cédulas de dólar Dólar avança com pressão internacional em meio entraves da guerra no Leste Europeu

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro fecharam perto da estabilidade nesta sexta-feira, 11, com o aumento do risco de invasão da Ucrânia por tropas russas. Investidores também analisaram o impacto da elevação da inflação nos Estados Unidos na política monetária e a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) doméstico em linha com o esperado. O dólar fechou com leve alta de 0,01%, a R$ 5,242. O câmbio operou em queda durante a maior parte do dia, chegando na mínima de R$ 5,181, enquanto a máxima não passou de R$ 5,242. O desempenho fez a divisa norte-americana fechar a semana com queda de 1,5%, e de 6% desde o começo do ano. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, perdeu fôlego com a pauta internacional e fechou com pequeno avanço de 0,2%, aos 113.572. A B3 acumulou alta de 2% na semana, enquanto a valorização desde janeiro foi a 8,3%. 

O secretário de Estado dos Estados Unidos (EUA), Anthony Blinken, afirmou a jornalistas nesta sexta-feira que uma eventual invasão da Rússia à Ucrânia é iminente e pode acontecer nos próximos dias. De acordo com o governo norte-americano, os russos devem ocupar a capital ucraniana, Kiev, em até dois dias. Diante do cenário, os governos dos EUA, Coreia do Sul, Japão e Holanda pediram para que seus cidadãos deixem o território ucraniano nas próximas horas. Ainda na pauta internacional,  os mercados seguiram repercutindo o avanço acima do esperado do preço aos consumidores dos EUA em janeiro. Dados divulgados nesta quinta-feira mostraram que a variação foi de 7,5% na comparação com o mesmo mês de 2021, o maior patamar em 40 anos. O registro tende a pressionar o Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano, a elevar os juros nas próximas reuniões. O Fed divulgou no fim do ano passado que vai reduzir a compra de títulos públicos. Em janeiro, a entidade também apontou a elevação dos juros, atualmente entre 0% e 0,25%, em ao menos cinco reuniões durante 2022. A mudança na política monetária impacta nas Bolsas globais pela migração de dólares para o Tesouro dos EUA, considerado um dos investimentos mais sólidos do mundo.

No noticiário doméstico, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nesta manhã que o pico da inflação deve ser alcançado entre abril e maio. O chefe da autoridade monetária também comentou a decisão em subir os juros antes das principais economias, movimento que já começou a ser observado em outros bancos centrais. “O Brasil saiu na frente, defendemos essa tese, apesar de aceleração ter sido maior, de que estamos acompanhando bem de perto e vamos usar todas as ferramentas para trazer inflação para a meta”, afirmou. No início do mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) subiu a Selic para 10,75% ao acrescentar 1,5 ponto percentual, o maior patamar dos juros desde 2017. A autoridade monetária indicou nova alta no encontro agendado para o mês que vem, apesar de admitir a desaceleração do ritmo. O movimento fez com analistas do mercado financeiro começassem a enxergar a Selic acima de 12% até o fim do primeiro semestre.

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