Dólar recua e Ibovespa dispara após Bolsonaro sinalizar trégua entre os Poderes

Câmbio intensifica desvalorização e fecha a R$ 5,22; Bolsa de Valores inverte sinal e encerra o dia com avanço de 1,72%

  • 09/09/2021 17h35
Antara Foto/Hafidz Mubarak/via ReutersDólar rompe R$ 5,60 um dia depois de o Banco Central acelerar os juros e indicar novas altas

O mercado financeiro brasileiro fechou no campo positivo nesta quinta-feira, 9, puxada pela forte valorização dos ativos após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) divulgar uma declaração à nação sinalizando trégua na tensão em Brasília. Em nota, o chefe do Executivo afirmou que nunca teve “nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes” e que as falas proferidas nas manifestações de 7 de Setembro “decorreram do calor do momento”. Até próximo das 16h30, o dólar registrava queda de 0,37%, mas intensificou a desvalorização e fechou com recuo de 1,85%, cotado a R$ 5,227. A divisa chegou a bater a máxima de R$ 5,335, enquanto a mínima não passou de R$ 5,194. O câmbio fechou a véspera com alta de 2,89%, a R$ 5,326. Já o Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, inverteu o sinal e passou de queda de 0,52% para alta de 1,72%. O movimento fez o pregão disparar da casa dos 112 mil pontos para fechar em 115.360 pontos. O pregão desta quarta-feira, 8, encerrou com forte queda de 3,98%, aos 113.412 pontos. O Ibovespa fechou a véspera com forte queda de 3,98%, aos 113.412 pontos.

Em nota, o presidente reiterou o seu respeito “pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição”. Em dos trechos, Bolsonaro cita o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a quem havia chamado de “canalha” há dois dias. “Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.” O pronunciamento oficial foi divulgado no mesmo dia em que o presidente da República enviou um avião da frota presidencial para buscar o ex-presidente Michel Temer em São Paulo. O emedebista chegou à capital federal por volta das 11h e se reuniu com Bolsonaro e o advogado-geral da União, Bruno Bianco, em um encontro que não foi divulgado pelas agendas oficias da Presidência e da Advocacia-Geral da União (AGU).