Dólar recua para R$ 4,99 com expectativa por alta mais forte dos juros

Banco Central ‘deixou a porta aberta’ para acréscimo acima de 0,75 ponto percentual na Selic em agosto; Ibovespa cai aos 128 mil pontos

  • Por Jovem Pan
  • 22/06/2021 14h02 - Atualizado em 22/06/2021 15h16
Dado Ruvic/ReutersDólar cai pelo segundo dia seguido com melhor ambiente nos mercados globais e alívio doméstico

O dólar voltou a ser cotado abaixo de R$ 5 nesta terça-feira, 22, com a expectativa de aceleração na alta da Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). O colegiado informou hoje que cogitou o aumento mais robusto dos juros na reunião da semana passada, mas recuou e manteve o acréscimo de 0,75 ponto percentual, levando a taxa para 4,25% ao ano. O comunicado, porém, “deixa a porta aberta” para um movimento mais robusto na reunião agendada para os dias 3 e 4 de agosto. Por volta das 13h50, o dólar registrava queda de 0,5%, negociado a R$ 4,997. A divisa norte-americana chegou a bater a máxima de R$ 5,045, enquanto a mínima não passou de R$ 4,990. O câmbio fechou a véspera com queda de 0,91%, a R$ 5,023. O Ibovespa, referência da B3, também registrava queda, de 0,76%, aos 128.248 pontos. O pregão desta segunda-feira, 21, encerrou com alta de 0,67%, aos 129.264 pontos.

A despeito da piora da pandemia do novo coronavírus, o BC afirmou que os indicadores mostram que a atividade econômica continuam “surpreendendo positivamente”, e que os riscos para a recuperação da economia brasileira em 2021 foram significativamente reduzidos. Mesmo expondo a expectativa de uma alta mais robusta nos juros — analistas projetam aumento de até 1 ponto percentual —,  a autoridade monetária sinalizou que deve fazer um novo acréscimo da mesma proporção pela quarta vez seguida, subindo a Selic para 5% ao ano. O movimento, porém, vai depender do cenário econômico. O BC também voltou a reconhecer que a pressão inflacionária está mais persistente do que o projetado e reforçou a estratégia de buscar a normalização dos juros para patamar neutro, ou seja, quando a Selic não estimula nem prejudica a atividade econômica. O nível, segundo analistas, é de 6,5% ao ano.