Focus: mercado reduz expectativa de PIB e inflação para 2018

  • Por Jovem Pan com Estadão Conteúdo
  • 16/07/2018 10h43 - Atualizado em 16/07/2018 10h53
Stevepb/PixabayO IPCA de junho subiu 1,26%, sob o efeito da greve dos caminhoneiros

A expectativa de alta para o PIB este ano passou de 1,53% para 1,50%, conforme o Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 16, pelo Banco Central (BC). Há quatro semanas, a estimativa era de crescimento de 1,76%. Para 2019, o mercado manteve a previsão de alta do PIB de 2,50% ante 2,70% de quatro semanas atrás.

No fim de junho, o BC reduziu sua projeção para o PIB em 2018, de 2,6% para 1,6%. A instituição atribuiu a mudança na estimativa à frustração com a economia no início do ano.

No relatório Focus agora divulgado, a projeção para a produção industrial de 2018 passou de alta de 2,65% para avanço de 2,96%. Há um mês, estava em 3,50%. No caso de 2019, a estimativa de crescimento da produção industrial foi de 3,05% para 3,00% ante 3,20% verificados quatro semanas antes.

A pesquisa mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2018 foi de 54,95% para 54,93%. Há um mês, estava em 55,00% Para 2019, a expectativa permaneceu em 58,00%, ante 57,15% de um mês atrás.

Veja no link abaixo todos os indicadores do relatório Focus:

Déficit primário

O Relatório de Mercado Focus trouxe mudança na projeção para a área fiscal em 2018. A relação entre o déficit primário e o Produto Interno Bruto (PIB) este ano passou de 2,10% para 2,05%. No caso de 2019, permaneceu em 1,50%. Há um mês, os porcentuais estavam em 2,10% e 1,50%, respectivamente.

Já a relação entre déficit nominal e PIB em 2018 permaneceu em 7,40%, conforme as projeções dos economistas do mercado financeiro. Para 2019, permaneceu em 6,80%. Há quatro semanas, estas relações estavam em 7,20% e 6,75%, nesta ordem.

O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após as despesas com juros

Desde o início de julho, as projeções do mercado para o déficit primário e o déficit nominal passaram a ser publicadas no Focus.

IPCA – inflação

Os economistas do mercado financeiro reduziram a previsão para o IPCA – o índice oficial de preços – de 2018. O Relatório Focus mostra que a mediana para o IPCA este ano foi de 4,17% para 4,15%. Há um mês, estava em 3,88%. Já a projeção para o índice em 2019 permaneceu em 4,10%. Quatro semanas atrás, também estava em 4,10%.

O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2020, que seguiu em 4,00%. No caso de 2021, a expectativa permaneceu em 4,00%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 4,00% para ambos os anos.

A projeção dos economistas para a inflação em 2018 está dentro da meta deste ano, cujo centro é de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (índice de 3,0% a 6,0%). Para 2019, a meta é de 4,25%, com margem de 1,5 ponto (de 2,75% a 5,75%). No caso de 2020, a meta é de 4,00%, com margem de 1,5 ponto (de 2,50% a 5,50%). Já a meta de 2021 é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).

Em 6 de julho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA de junho subiu 1,26%, sob o efeito da greve dos caminhoneiros, que perdurou até o início do mês passado. A taxa acumulada no primeiro semestre foi de 2,60% e nos 12 meses encerrados em junho de 4,39%.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2018 no Focus continuou em 4,10%. Para 2019, a estimativa do Top 5 passou de 4,00% para 4,06%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 3,83% e 4,00%, respectivamente.

No caso de 2020, a mediana do IPCA no Top 5 permaneceu em 4,00%, igual ao verificado há um mês. A projeção para 2021 no Top 5 seguiu em 3,75%, também igual ao visto um mês atrás.

Os economistas do mercado financeiro reduziram a previsão para a inflação em julho de 2018 de 0,35% para 0,33%.

Para agosto, a projeção continuou em 0,10% e, para setembro, permaneceu em 0,21%. Há um mês, os porcentuais eram de 0,18% e 0,27%, respectivamente.

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado no fim de junho, o BC informou que suas projeções de inflação no curto prazo são de 0,27% em julho e 0,20% em agosto.

No Focus agora divulgado, a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de 3,80% para 3,77% de uma semana para outra – há um mês, estava em 4,39%.

Projeção mediana

A projeção mediana para o IPCA 2018 atualizada com base nos últimos 5 dias úteis passou de 4,17% para 4,11%, conforme o Relatório de Mercado Focus. Houve 42 respostas para esta projeção no período. Há um mês, o porcentual calculado estava em 3,94%.

No caso de 2019, a projeção do IPCA dos últimos 5 dias úteis permaneceu em 4,10%. Há um mês, estava no mesmo patamar.

Essas projeções do IPCA que consideram apenas os últimos 5 dias úteis são uma das novidades do novo formato do Focus. As projeções gerais do IPCA, que seguem fazendo parte do Focus, levam em conta os últimos 30 dias. Conforme o BC, a intenção de divulgar projeções com base nos últimos dias úteis tem como objetivo mostrar um retrato mais tempestivo do indicador de inflação.

Outros índices

O Focus mostrou, ainda, que a mediana das projeções do IGP-M de 2018 passou de 7,67% para 7,70%. Há um mês, estava em 7,04%. No caso de 2019, o IGP-M projetado foi de 4,48% para 4,47%, ante 4,47% de quatro semanas antes.

Calculados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), os Índices Gerais de Preços (IGPs) são bastante afetados pelo desempenho do câmbio e pelos produtos de atacado, em especial os agrícolas.

Selic

Os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic (a taxa básica de juros) para o fim de 2018 e de 2019. O Relatório Focus trouxe que a mediana das previsões para a Selic este ano seguiu em 6,50% ao ano. Há um mês, estava no mesmo patamar. Já a projeção para a Selic em 2019 permaneceu em 8,00% ao ano, igual ao verificado há quatro semanas.

No caso de 2020, a projeção para a Selic seguiu em 8,00% e, para 2021, também permaneceu em 8,00%. Há um mês, os porcentuais projetados eram de 8,00% para ambos os anos.

Em 20 de junho passado, o Copom manteve a Selic no patamar de 6,50% ao ano. Na decisão, o colegiado não deu sinais de que vá manter a Selic neste nível nos próximos meses, ao contrário do que fez na reunião anterior, de maio.

O Copom procurou ressaltar que as próximas decisões sobre juros dependerão da evolução da atividade, dos riscos para a inflação e das projeções para os índices de preços. Isso foi reiterado tanto na ata do Copom quanto no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgados no fim de junho.

Para o grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções de médio prazo (Top 5), a mediana da taxa básica em 2018 seguiu em 6,50% ao ano, igual ao verificado um mês antes. No caso de 2019, a projeção do Top 5 para a Selic seguiu em 7,75% ante 8,00% de quatro semanas atrás. No caso de 2020, continuou em 8,50% e, para 2021, permaneceu em 8,50%. Há um mês, estavam em 9,00% para 2020 e 2021.

Câmbio

O relatório de mercado mostrou manutenção no cenário para a moeda norte-americana em 2018. A mediana das expectativas para o câmbio no fim deste ano seguiu em R$ 3,70, ante R$ 3,63 verificados há um mês. Já para 2019, a projeção dos economistas do mercado financeiro para o câmbio no fim do ano passou de R$ 3,60 para R$ 3,68, ante os R$ 3,60 registrados quatro pesquisas atrás.

Preços administrados

O Relatório Focus indicou elevação na projeção para os preços administrados em 2018. A mediana das previsões do mercado financeiro para o indicador este ano foi de alta de 6,40% para avanço de 6,45%. Para 2019, a mediana passou de elevação de 4,44% para alta de 4,40%.

Há um mês, o mercado projetava aumento de 6,16% para os preços administrados neste ano e elevação de 4,50% no próximo ano.

As projeções atuais do BC para os preços administrados, no cenário de mercado, indicam elevações de 7,2% em 2018 e 4,6% em 2019. Estes porcentuais foram atualizados no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

Mais cedo, os economistas do mercado financeiro reduziram a previsão para o IPCA – o índice oficial de preços – de 2018. O Focus mostrou que a mediana para o IPCA este ano foi de 4,17% para 4,15%. Há um mês, estava em 3,88%. Já a projeção para o índice em 2019 permaneceu em 4,10%. Quatro semanas atrás, também estava em 4,10%.