Guedes critica categorias que pedem aumento de salários: ‘Desonra com os contemporâneos’

Ministro da Economia afirmou em coletiva que reajustes salariais poderiam causar problemas para as futuras gerações

  • Por Jovem Pan
  • 17/12/2021 18h08 - Atualizado em 17/12/2021 18h11
DIDA SAMPAIO / ESTADÃO CONTEÚDO - 22/10/2021 Ministro da Economia, Paulo Gedes fala com a mão levantada Paulo Guedes concedeu entrevista coletiva sobre o ano de 2021 na economia nesta sexta

O ministro da economia, Paulo Guedes, criticou os pedidos de categorias de servidores públicos por reajuste salarial em meio à alta da inflação durante entrevista coletiva nesta sexta, 17. Para Guedes, o aumento de gastos pode levar a problemas mais graves na economia como um todo. “Em tempos de guerra, não se pede aumento de salário, nem no setor público, nem no setor privado. Numa guerra se perde emprego, se perde vidas, se perde renda. Recolocamos o PIB no lugar, já criamos empregos, com um salário um pouco mais baixo, porque a economia ainda não recuperou seu vigor, e já tem gente querendo desonrar o compromisso com seus contemporâneos. ‘Já ganhei a vacina, agora me dá aqui meu aumento de volta’. E os outros? ‘Eles que peçam o deles, eu quero o meu agora’. Se todos tiverem esses aumentos, é uma desonra com as futuras gerações. A inflação vai voltar, a gente vai mergulhar no passado, nós vamos no endividar em bola de neve de novo, os juros vão continuar altos, a inflação não terá tido uma alta temporária, será uma alta permanente. Nosso papel é assegurar que isso não aconteça”, afirmou Guedes.

O ministro ainda citou as reformas estruturantes que foram aprovadas em 2021, como os marcos legais do saneamento, das startups, do gás natural e da cabotagem, mas advertiu que ainda há outras coisas ainda para serem feitas. “A reforma tributária não aconteceu, ainda, é uma pena. Nós íamos aumentar os impostos sobre os ricos e diminuir sobre as empresas. Trabalhamos fortemente nisso, não passou. Democracia é assim. Reforma administrativa, igual. Preserva todos os direitos dos funcionários atuais, mas cria meritocracia, avaliações, desempenho, pro futuro, não passou. Mas nós nos empenhamos”, destacou. Guedes ainda voltou a dizer que investimentos privados vultosos começarão em diversos setores da economia.