Guedes diz que é ‘inadmissível’ encerrar 2022 sem privatizar Eletrobras e Correios

Ministro da Economia afirma que interdição de outros Poderes na venda das empresas cria ‘precedente desagradável’

  • Por Jovem Pan
  • 17/12/2021 19h25
ANTONIO MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Paulo Guedes Ministro defendeu venda da Eletrobras para garantir a segurança energética brasileira

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta-feira, 17, que é “inadmissível” que o governo encerre o ano de 2022 sem conseguir concluir o processo de privatização da Eletrobras e dos Correios. “A população votou em um presidente que se comprometeu com um programa de privatizações, e na hora que vamos privatizar outros poderes impedem? Isso cria um precedente desagradável. É perfeitamente natural que a gente consiga vender duas empresas que estão descapitalizadas e não conseguem manter a sua fatia de mercado”, afirmou em uma coletiva de apresentação do trabalho da equipe econômica em 2021. A venda da Eletrobras passou pelo Congresso e foi publicada no Diário Oficial da União com uma série de vetos e cercada de polêmicas pela inclusão de “jabutis” pelos parlamentares, como são chamados os trechos acrescentados que não têm relação direta com o tema. O processo, no entanto, está parado no Tribunal de Contas da União (TCU) para uma série de análises. Já a venda dos Correios foi aprovada pela Câmara, mas o texto está parado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

O ministro também afirmou que a pandemia do novo coronavírus e a demora para aprovação da medida encaminhada pelo governo federal impediram o “choque de energia barata” prometido no início da atual gestão. “Alguém contava com a Covid, que subiu o preço da energia no mundo inteiro? Será que é culpa nossa também o preço do carvão subir na China, o preço do gás subir na Inglaterra e na Alemanha?”, questionou o ministro, que chamou de “desonestidade intelectual” as críticas sofridas. Guedes também disse que é “uma pena” que as reformas administrativa e tributária não tenham sido aprovadas pelo Congresso. “Democracia é assim, mas nós nos empenhamos e estamos prestando contas de ações nossas. Algumas atravessaram, outras não”, disse o chefe da equipe econômica.

O ministro também comentou sobre os investimentos privados contratados para o país após a aprovação dos marcos regulatórios como o saneamento básico, gás natural e o leilão da internet 5G, além de iniciativas ligadas ao petróleo. Pelas contas da equipe econômica, o Brasil deve encerrar 2022 com R$ 1,2 trilhão em investimentos contratados. “Você melhora o ambiente de negócio e os investimentos começam a aparecer de todos os lados. O Brasil se tornou uma enorme fronteira de investimentos”, disse. Segundo Guedes, esse vetor deve balancear a desaceleração econômica prevista para o ano que vem com o aumento dos juros. “O Brasil está realmente fazendo essa transição para uma economia com crescimento sustentável de 3% 3,5% para os próximos anos”, disse o ministro.