IBGE: indústria opera 23,8% abaixo do pico de produção em maio de 2011

  • Por Estadão Conteúdo
  • 04/07/2018 12h54
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Pedro Revillion/ Palácio Piratini Pedro Revillion/ Palácio Piratini indústria

O tombo de 10,9% registrado pela indústria em maio ante abril fez ampliar a distância entre o patamar de produção atual e o ponto mais elevado já registrado na série histórica da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em abril, a indústria operava 14,5% abaixo do pico de produção registrado em maio de 2011. Em maio, esse patamar de produção ficou 23,8% mais baixo que o ápice já registrado, em nível semelhante ao de dezembro de 2003.

“Esse movimento de distanciamento do patamar de produção do ponto mais alto existe não só para o total da indústria, mas também para todas as categorias de uso”, apontou André Macedo, gerente na Coordenação de Indústria do IBGE.

O índice de difusão, que mede a proporção de itens com avanço na produção, ficou em 29,6% em maio, o mais baixo desde abril de 2016, quando foi de 28,9%.

“A indústria teve quase 70% dos produtos com queda na produção em maio ante maio de 2017. No setor de alimentos, 91% dos itens tiveram queda na produção. Isso dá um pouco da dimensão do tamanho do comportamento de queda que maio trouxe para a produção”, concluiu Macedo.

Carregamento estatístico negativo

O recuo de 10,9% na produção industrial de maio ante abril traz um carregamento estatístico negativo para o desempenho do setor no segundo trimestre do ano, mas também impacta o resultado do fechamento de 2018, avaliou Macedo.

A produção industrial passou de um crescimento de 4,5% acumulado de janeiro a abril para um avanço de 2,0% no acumulado de janeiro a maio. A taxa em 12 meses crescia 3,9% até abril, passando a aumento de 3,0% nos 12 meses encerrados em maio, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados nesta quarta-feira 4, pelo IBGE.

“O resultado desse mês dificulta uma análise conjuntural maior porque está muito carregado pelo evento paralisação de caminhoneiros. A greve pega uma quantidade de dias importante, um terço do mês de maio, e carrega todo esse comportamento negativo para essa produção industrial”, apontou Macedo.

O bloqueio de estradas por todo o País provocou falta de matéria-prima, impossibilidade de escoamento de produtos e algumas vezes até ausência de funcionários que não conseguiram chegar ao trabalho, enumerou o pesquisador.

“Há relatos de paralisações em várias plantas industriais por causa da greve”, disse Macedo. “Ouvi alguns relatos de plantas industriais que pararam porque não podiam abrir seus refeitórios porque não tinham comida”, completou.

Segundo Macedo, havia informações de algumas cadeias produtivas que ainda não tinham sido normalizadas no início de junho, quando a greve já estava terminada. Além disso, a discussão em torno do tabelamento do frete também pode ter impactado o retorno à normalidade no parque produtivo.

“Quanto disso vai afetar a produção de junho não sabemos, mas isso pode sim trazer algum tipo de reflexo para a produção do mês seguinte (junho)”, afirmou Macedo. “Isso vai fazer parte da história de 2018 e vai entrar na conta do fechamento do ano”, acrescentou.

Greve dos caminhoneiros

Macedo defende que o cenário conjuntural não mudou muito com a paralisação dos caminhoneiros, exceto pelos reflexos sobre o aumento das incertezas e a redução na confiança dos agentes da economia. Ele lembra que a inflação permanece mais controlada, e o mercado de trabalho segue melhor do que no ano passado, embora ainda com um contingente bastante elevado de desempregados.

“Considerando que a paralisação dos caminhoneiros foi pontual, não há nenhuma modificação do cenário. A questão é o quanto você recupera dessa perda de 10,9%. Você volta para o movimento da produção normal. Claro que pode ter reflexo da desarticulação de algumas cadeias produtivas, mas volta com a produção. A partir de junho, teoricamente, a gente consegue ter uma análise melhor (sobre o setor industrial)”, concluiu Macedo.

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