Inflação alta intensifica corrosão da renda dos trabalhadores da indústria em 2021, diz CNI

Indicadores também mostram queda no faturamento e nas horas trabalhadas no período; geração de emprego sobe 0,1% e indica desaceleração

  • Por Jovem Pan
  • 04/10/2021 15h01 - Atualizado em 04/10/2021 15h33
José Paulo Lacerda/CNI Crise gerada pelo novo coronavírus se somou a nova década perdida na região, diz Banco Mundial

A perda acumulada da renda dos trabalhadores da indústria se intensificou em agosto com a alta da inflação, enquanto o setor viu aprofundar as quedas no faturamento e nas horas trabalhadas no período. As informações são dos indicadores divulgados nesta segunda-feira, 4, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apesar de o rendimento dos trabalhadores ter elevado 0,5%, o acumulado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 9,68% nos 12 meses encerrados em agosto fez o salário somar queda de 2% em 2021. “A alta da inflação contribui para a redução do rendimento médio real dos trabalhadores”, informou o relatório. O faturamento real das indústrias teve queda de 3,4% na comparação com julho, mantendo a tendência negativa observada desde o início do ano. Desde janeiro, o indicador soma retração de 6,4%. Em paralelo a agosto de 2020, a queda foi de 0,2%. Já o indicador de horas trabalhadas registrou queda de 0,3% na variação mensal. O desempenho intensifica a trajetória negativa acompanhada desde fevereiro. A exceção foi julho, quando as horas trabalhadas ficaram estáveis. “Com o resultado de agosto, o índice volta a um patamar ligeiramente abaixo do observado em fevereiro de 2020 (-0,8p.p.), antes da crise causada pela pandemia de covid-19. Em 2021, a retração acumulada é de 4,7%”, disse a CNI.

A geração de emprego indica desaceleração com a alta de 0,1% na comparação com julho. Apesar da queda no ritmo, o indicador acumula alta de 3,8% desde janeiro e registra resultados positivos desde agosto do ano passado. O dado, porém, é ofuscado pela queda no rendimento, afirma a CNI. O cenário impacta no baixo crescimento da massa salarial. Em agosto, o indicador avançou 0,8% na comparação com julho, e acumula alta de 0,7% em 2021. “A massa salarial real se encontra 2,6% abaixo do nível observado em fevereiro de 2020, antes da pandemia. Apesar da forte recuperação das horas trabalhadas no segundo semestre de 2020, em nenhum momento a massa salarial real voltou ao nível de antes da pandemia”, apontou a pesquisa. No mês de agosto, o indicador de Utilização da Capacidade Instalada (UCI) da indústria de transformação apresentou queda de 0,1% em relação a julho, na série livre de efeitos sazonais. Desde março de 2021, o indicador se encontra acima de 80%, em um patamar superior à média histórica.