Focus: IPCA para 2018 segue em 3,95%; veja mais índices

  • Por Jovem Pan com Estadão Conteúdo
  • 15/01/2018 09h38 - Atualizado em 15/01/2018 10h08
Marcos Santos/USP ImagensAs projeções de mercado divulgadas nesta segunda no Focus indicam que a expectativa é de que a inflação em 2018 fique dentro da meta, de 4,5%, com margem de 1,5%.

Os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para o IPCA – o índice oficial de preços – para 2018 e 2019. O Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira, 15, pelo Banco Central, mostra que a mediana para o IPCA este ano continuou em 3,95%. Há um mês, estava em 4,00%. Já a projeção para o índice de 2019 seguiu em 4,25%, como está já há 40 semanas.

Esta foi a primeira vez em que as projeções para 2019 aparecem incorporadas diretamente ao Focus, e não apenas ao Sistema de Expectativas de Mercado do BC.

Na prática, as projeções de mercado divulgadas nesta segunda no Focus indicam que a expectativa é de que a inflação em 2018 fique dentro da meta, de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (índice de 3,0% a 6,0%). Para 2019, a meta é de 4,25%, com margem de 1,5 ponto (de 2,75% a 5,75%).

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na última quarta-feira, 10, o IPCA de dezembro e de 2017. A inflação ficou em 0,44% no mês passado e em 2,95% no acumulado do ano.

Em dezembro, o Banco Central atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), suas projeções para o IPCA: 4,2% em 2018, 4,2% em 2019 e 4,1% em 2020. Estes cálculos do BC levam em conta câmbio e juros variáveis, conforme as projeções do Focus.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2018 no Focus foi de 3,72% para 3,80%. Para 2019, a estimativa do Top 5 passou de 4,25% para 4,00%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 3,95% e 4,25%, respectivamente.

Já a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de 3,93% para 3,98% de uma semana para outra – há um mês, ela estava em 3,91%.

Entre os índices mensais mais próximos, a estimativa para janeiro de 2018 foi de 0,39% para 0,37%. Um mês antes, estava em 0,46%. No caso de fevereiro, a projeção manteve-se em 0,43%, ante 0,44% de quatro semanas antes.

No RTI, o BC também atualizou suas projeções de inflação de curto prazo: 0,53% em janeiro e 0,47% em fevereiro.

Preços administrados

O Relatório Focus indicou nesta segunda redução na projeção para os preços administrados em 2018. A mediana das previsões do mercado financeiro para o indicador foi de alta de 4,95% para avanço de 4,90%. Para 2019, a mediana foi de 4,30% para 4,25%. Há um mês, o mercado projetava aumento de 4,90% para os preços administrados em 2018 e elevação de 4,25% em 2019.

As projeções atuais do BC para os preços administrados indicam elevações de 4,9% em 2018, 4,3% em 2019 e 4,2% em 2020. Estes porcentuais foram atualizados no Relatório Trimestral de Inflação divulgado em dezembro.

Outros índices de inflação

Os economistas do mercado financeiro revelaram, ainda, que a mediana das projeções do IGP-DI de 2018 passou du 4,44% para 4,45%. Há um mês, estava em 4,47%. No caso de 2019, o IGP-DI projetado continuou em 4,28%, como já estava há quatro semanas.

Calculados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), os Índices Gerais de Preços (IGPs) são bastante afetados pelo desempenho do dólar e pelos produtos de atacado, em especial os agrícolas. Conforme divulgado na semana passada, o IGP-DI registrou alta de 0,74% em dezembro e acumulou redução de 0,42% no ano de 2017.

Outro índice, o IGP-M, que é referência para o reajuste dos contratos de aluguel, foi de 4,38% para 4,44% nas projeções dos analistas para 2018. Quatro levantamentos antes, estava em 4,39% Para 2019, a projeção seguiu em 4,30%, como já estava quatro semanas atrás.

Já a mediana das previsões para o IPC-Fipe de 2018 passou 4,28% para 4,23% no Focus. Um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC de 4,28%. No caso de 2019, a projeção seguiu em 4,10%, ante 4,40% de um mês antes.

Alta do PIB para 2018

O mercado financeiro alterou levemente sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. A expectativa de alta para o PIB 2018 passou de 2,69% para 2,70% no Relatório Focus. Há um mês, a perspectiva estava em 2,64%. Para 2019, o mercado manteve a previsão de alta do PIB em 2,80%. Quatro semanas atrás, a expectativa era de 2,75%.

O Banco Central atualizou suas projeções para o PIB no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado em dezembro. O crescimento projetado para 2017 é de 1,0% e para 2018 de 2,6%.

No Focus agora divulgado, a projeção para a produção industrial de 2018 passou de avanço de 3,14% para alta de 3,20%. Há um mês, estava em 3,00%. No caso de 2019, a estimativa de crescimento da produção industrial continuou em 3,00%, ante 2,80% de quatro semanas antes.

Já a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2018 foi de 55,60% para 55,40%. Há um mês, estava em 55,65%. Para 2019, a expectativa no boletim Focus foi de 57,70% para 58,00%, ante 57,65% de um mês atrás.

Balança

Os economistas do mercado financeiro elevaram suas projeções para a balança comercial em 2018. A estimativa de superávit comercial este ano foi de US$ 52,00 bilhões para US$ 53,00 bilhões da última semana para esta, ante US$ 52,00 bilhões de um mês antes. Para 2019, a estimativa de superávit continuou em US$ 45,00 bilhões, ante US$ 42 bilhões de quatro semanas atrás.

Na estimativa mais recente do BC, atualizada na Nota do Setor Externo divulgada em dezembro, o saldo positivo de 2018 ficará em US$ 59,0 bilhões.

No caso da conta corrente, as previsões contidas no Focus para 2018 indicaram déficit de US$ 28,35 bilhões, ante US$ 29,87 bilhões de uma semana atrás. Há um mês, o déficit estimado era também de US$ 28,35 bilhões. A estimativa do BC para o déficit em conta em 2018 é de US$ 18,4 bilhões.

O mercado alterou a projeção de rombo nas contas externas em 2019, de US$ 42,50 bilhões para US$ 40,00 bilhões. Um mês atrás, o rombo projetado era de US$ 42,50 bilhões.

Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário, tanto neste ano quanto em 2019. A mediana das previsões para o IDP este ano seguiu em US$ 80,00 bilhões, como já estava há um mês. A projeção atual do BC para 2018 é de IDP de justamente US$ 80,00 bilhões.

Para 2019, a perspectiva de volume de entradas de investimento direto, de acordo com o Focus, continuou também em US$ 80,00 bilhões. Há quatro semanas, o valor era o mesmo.

Selic

Em meio às indicações do Banco Central (BC) de que pode continuar o processo de corte de juros em fevereiro, os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic para o fim de 2018. O Relatório de Mercado trouxe que a mediana das previsões para a Selic este ano seguiu em 6,75% ao ano. Há um mês, estava em 7,00% – atual patamar da Selic.

Em dezembro, o Banco Central reforçou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), a indicação de que pode reduzir a Selic em mais 0,25 ponto porcentual em fevereiro, de 7,00% para 6,75% ao ano. Ao mesmo tempo, a instituição afirmou que a decisão dependerá da evolução da atividade, dos riscos para o cenário – como o ligado ao andamento das reformas -, das avaliações sobre o estágio do ciclo monetário e das projeções para os índices de preços. Estas mensagens foram reafirmadas na semana passada pelo próprio presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em entrevista.

No caso de 2019, a projeção para a Selic passou de 8,13% ao ano (porcentual que indicava divisão entre 8,00% e 8,25%) para 8,00% ao ano.

No Focus, a Selic média de 2018 permaneceu em 6,75% ao ano, como já estava quatro semanas atrás. Já a taxa básica média de 2019 foi de 7,90% para 7,88%.

Para o grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a taxa básica terminará 2018 em 6,50% ao ano, o mesmo porcentual projetado uma semana e um mês antes. No caso de 2019, a projeção do Top 5 para a Selic continuou em 8,00%, ante 7,25% de quatro semanas antes.

Câmbio

O relatório mostrou ainda que a projeção para a cotação da moeda americana no fim de 2018 passou de R$ 3,34 para R$ 3,35. Há um mês, ela estava em R$ 3,30. Já o câmbio médio de 2018 foi de R$ 3,32 para R$ 3,31, ante R$ 3,30 de um mês antes.

No caso de 2019, a projeção ds economistas do mercado financeiro para o câmbio no fim do ano continuou em R$ 3,40 – como também já estava um mês antes. Já a expectativa para o câmbio médio foi de R$ 3,33 para R$ 3,34, ante o valor de R$ 3,32 previsto quatro semanas atrás.