Petrobras atua de forma transparente e não há espaço para aventuras, diz Silva e Luna

Em audiência na Câmara dos Deputados, presidente da estatal afirma que gestão tem forte governança e atende às demandas do país

  • Por Jovem Pan
  • 14/09/2021 15h56 - Atualizado em 14/09/2021 16h42
ANTONIO MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOPresidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, participou de sessão no Congresso para falar sobre os preços dos combustíveis e gás de cozinha no país

O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, afirmou nesta terça-feira, 14, que “não há espaço para aventura” na estatal e que a companhia atua de forma transparente. Em participação em uma comissão especial na Câmara dos Deputados, o general da reserva afirmou que a Petrobras atende às demandas do país e que possui um sistema de governança corporativa. “Temos uma rigorosa governança, não tem espaço para aventura na empresa”, disse. Silva e Luna afirmou que o valor da gasolina — que em alguns Estados já ultrapassou a marca de R$ 7 — é parte para quitar investimentos, juros de dívidas e os custos de produção, e também para o pagamento de impostos.”[A Petrobras] faz investimentos selecionados e tem uma forte governança para evitar qualquer desvio”, afirmou. De acordo com o presidente, a empresa é responsável por 34% do preço do litro da gasolina. O restante, explicou, é dividido entre impostos da União e dos Estados, além da margem de lucro dos postos, refinarias e o custo da adição de etanol.

O chefe da estatal foi chamado pelos deputados para debater o aumento nos preços dos combustíveis, um dos principais responsáveis pela disparada da inflação neste ano. Nesta segunda-feira, 13, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), reclamou nas redes sociais do valor da gasolina, diesel e do gás de cozinha. O deputado questionou a responsabilidade da estatal e disse que “a Petrobras deve ser lembrada: os brasileiros são seus acionistas”. O autor do requerimento que deu origem ao debate, deputado Danilo Forte (PSDB-CE), disse que o objetivo é discutir formas de conter a alta dos preços. “Para que a gente possa não só entender as motivações, que são muitas vezes externas em função do dólar, mas também internas. Precisamos repactuar os Estados e o governo federal na questão dos tributos. É inadmissível que na conta de energia 46% seja de impostos, quase a metade”, afirmou. Até agosto, a gasolina já acumula alta de 31,09%, segundo índice nacional de preços ao consumidor. O etanol teve aumento de 40,75%, e o diesel de 28,02%.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, chamou a atenção para os sucessivos aumentos dos combustíveis praticados pela Petrobras e os seus efeitos no avanço do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o medidor oficial da inflação brasileira. “A Petrobras, por exemplo, passa preços muito mais rápido do que a grande parte dos outros países”, afirmou, completando que o BC acompanha esse movimento da alta das commodities na variação dos preços. A inflação foi a 0,87% em agosto — o maior salto em 21 anos —, e acumulou alta de 9,68% nos últimos 12 meses. O aumento dos combustíveis foi o principal fator para a alta no mês passado.

O general da reserva, Joaquim Silva e Luna, assumiu o comando da estatal em abril deste ano. O ex-diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional foi nomeado para a vaga de Roberto Castello Branco, demitido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em fevereiro após sucessivos aumentos dos preços dos combustíveis. À época, a intervenção do presidente no comando da Petrobras derrubou os papéis da empresa no mercado financeiro e acentuou o risco da intromissão do presidente na gestão das estatais. As ações da empresa chegaram a recuar quase 30%, somando mais de R$ 100 bilhões em perdas. O movimento também colocou em dúvida o modelo de paridade internacional pregado pela Petrobras para a formulação dos preços, que acompanha a variação do barril do petróleo no mercado externo.