Pix começa a funcionar nesta segunda; confira a opinião de quem já usou a ferramenta

Com transferências em até 10 segundos e funcionamento ininterrupto, o novo sistema de pagamentos do Banco Central promete trazer facilidade e simplicidade para o mercado financeiro

  • Por Caroline Hardt
  • 16/11/2020 10h00
ADRIANA TOFFETTI/A7 PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOA ferramenta, que promete revolucionar os meios de pagamentos eletrônicos, estava com operação disponível a um reduzido grupo de usuários desde o dia 5 de novembro

O novo sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central (BC), o Pix, entra em funcionamento para todos os clientes nesta segunda-feira, 16. A ferramenta, que promete revolucionar os meios de pagamentos eletrônicos, estava com operação disponível a um reduzido grupo de usuários desde o dia 5 de novembro. Agora, com o lançamento oficial, mais de 25 milhões de usuários que cadastraram suas chaves de segurança em instituições financeiras podem começar a utilizar o sistema, que promete fazer transferências em até 10 segundos e funcionar todos os dias do ano, 24 horas, trazendo facilidade e simplicidade para o mercado financeiro. Com o início das operações marcado para esta segunda-feira, a Jovem Pan ouviu clientes que tiveram acesso antecipado à funcionalidade.

A fotógrafa Fernanda Covalski conta que já fez ao menos dez operações usando o Pix. Ela relata que, mesmo tendo enfrentado dificuldades em uma das transferências, considera o sistema seguro, fácil e eficiente. Para fazer uma transferência pelo Pix, a fotógrafa cadastrou informações pessoais como CPF e telefone, consideradas as chaves de segurança da ferramenta. “Desde que foi liberado para testes, em 5 de novembro, eu já fiz algumas vezes. É uma transação muito fácil e praticamente não mudou. Eu digito o nome da pessoa e já aparece ali a opção de fazer um Pix. Estava ansiosa para usar e fiquei bem feliz que entrei na fase de testes. Primeiro, eu fiz transações com valores menores para ficar testando. Agora, eu já pago fornecedores locais, compro pão e pago pelo Pix também, então tudo que eu consigo, já pago pelo Pix. Como sou bem digital, não faço mais nada em bancos tradicionais, e por ser uma ferramenta do Banco Central, considero o Pix seguro. Posso até ser ingênua, mas confio mesmo.”

Assim como a Fernanda, outro cliente que também teve acesso antecipado ao sistema de pagamentos instantâneos foi o servidor público Marco Antônio Teixeira da Silva. Ele conta que utilizou a plataforma por duas vezes, sendo a primeira durante um final de semana para testar se a transferência entre instituições distintas seria concluída de forma instantânea, e outra para pagamento de uma conta em restaurante. Nas duas ocasiões, a experiência foi positiva, rápida e simples, atendendo à promessa principal do Pix. Agora, Marco Antônio espera “aposentar” o uso da TED e do DOC e até mesmo dos pagamentos com dinheiro em espécie. “A minha primeira experiência foi um teste. Eu fiz uma transação pequena de um banco para outro e em quatro segundos já recebi a notificação que tinha recebido a transferência. Depois, eu fui em um restaurante e a máquina de cartão não estava funcionando. Então eu perguntei se poderia fazer um Pix, fizemos e na mesma hora caiu. Com o Pix, será praticamente desnecessário ter dinheiro em mãos”, conta o servidor público, que considera a ferramenta totalmente confiável. “Você coloca a chave de segurança da pessoa e aparecem todos os dados dela, a conta, o CPF, informação do nome. Então continua sendo seguro porque o cliente tem acesso a todas essas informações antes de concluir.”

Embora os relatos sejam positivos, alguns clientes identificaram instabilidades durante as operações antecipadas. Rubens Kühl conta que fez quatro transferências de valores baixos para testar o Pix em diferentes instituições bancárias. Durante o processo, alguns pontos considerados “questões de usabilidade” pelo engenheiro foram identificados e reportados às instituições, como o extrato não apresentar o remetente do Pix ou mostrar a razão social de uma empresa quando deveria ter mostrado o nome fantasia. Mesmo assim, Rubens considera que as experiências foram positivas, seguras e funcionaram dentro de poucos segundos. “O Pix veio para facilitar e simplificar os pagamentos. E o mais importante, veio para trazer competição num mercado, hoje, oligopolizado. Foram testes feitos envolvendo quatro instituições financeiras distintas, sendo três onde eu tenho conta e uma onde a empresa que trabalho possui conta. Fiquei circulando centavos entre as minhas contas, fazendo envios e devoluções. Agora, pretendo usar o Pix no lugar de TED, DOC, GRU, DARF e boletos.”

Entenda como funciona

Na prática, o novo sistema de pagamentos do Banco Central será mais uma opção para os clientes. A grande diferença da ferramenta, que é opcional, fica pela instantaneidade das operações, que devem ser concluídas em segundos e pela possibilidade de utilizar a plataforma por meio de carteiras digitais, deixando de lado a necessidade de possuir uma conta corrente para efetuar as transações. Além disso, o funcionamento e compensação dos pagamentos de forma ininterrupta também prometem impulsionar o uso do Pix. Em suma, o sistema irá funcionar a qualquer hora, todos os dias do ano, incluindo finais de semana e feriados. E para aproveitar a novidade, os clientes interessados devem cadastrar suas informações pessoais na instituição bancária escolhida e aguardar a confirmação do cadastro junto ao Banco Central. Nesse processo, para garantir a segurança dos dados pessoais e evitar cair em possíveis golpes financeiros, confira abaixo cinco dicas de como fazer um cadastro e uso seguro do Pix:

  1. Faça o seu cadastro apenas pelos aplicativos oficiais dos bancos e fintechs. Procure a instituição bancária escolhida, acesse sua conta usando as informações solicitadas e faça o cadastro dos seus dados com segurança;
  2. Não clique em links recebidos por e-mail, WhatsApp ou em redes sociais para fazer o cadastro ou ter acesso ao sistema de pagamentos. Quadrilhas especializadas criam páginas falsas para captar informações financeiras dos clientes e aplicar futuros golpes;
  3. Caso receba ligações oferecendo a opção de cadastrar as chaves de segurança pelo telefone, fique atento. Criminosos, se identificando como funcionários dos bancos, ligam para os clientes solicitando os dados pessoais da vítima para realizar transações indevidas;
  4. Esteja atento e evite fornecer suas informações em sites desconhecidos. A proteção dos dados pessoais minimiza as chances de fraudes;
  5. Caso tenha dúvidas, procure os canais oficiais de atendimento da sua instituição financeira escolhida e se informe sobre como fazer o cadastro seguro no Pix.