Produção industrial cresce 1,4% em maio e retorna ao patamar pré-pandemia

Setor registra primeiro resultado positivo em três meses, mas não elimina perdas acumuladas entre fevereiro e abril

  • Por Jovem Pan
  • 02/07/2021 11h21 - Atualizado em 02/07/2021 15h59
EFE/EPA/VASSIL DONEV Indústria brasileira volta a registrar avanço em maio após três meses de retração

Após três meses de queda, a produção industrial brasileira avançou 1,4% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 2. O resultado deixa a atividade no patamar pré-pandemia do novo coronavírus, em fevereiro de 2020. O setor acumula alta de 13,1% desde o início do ano, e 4,9% nos últimos 12 meses. Apesar do resultado positivo, a indústria nacional ainda está 16,7% abaixo do nível recorde, alcançado em maio de 2011. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a atividade somou avanço de 24%, a segunda taxa mais elevada desde o início da série histórica, há 19 anos.

Este foi o primeiro resultado positivo desde janeiro, quando a indústria registrou leve avanço de 0,3%. No acumulado de fevereiro a abril, a produção industrial brasileira somou retração de 4,7%. Mesmo com o bom desempenho, o gerente da pesquisa, André Macedo, afirma que o resultado não elimina o acumulado negativo dos três meses anteriores. “Há uma volta ao campo positivo, mas está longe de recuperar essa perda recente que o setor industrial teve. Muito desse comportamento de predominância negativa nos últimos meses tem uma relação direta com o recrudescimento da pandemia, no início de 2021, que trouxe um desarranjo para as cadeias produtivas.”

A pesquisa mostrou que 15 das 26 atividades consultadas pelo IBGE registraram saldo positivo. O desabastecimento de matéria-prima por causa da interrupção da cadeias de produção e o encarecimento dos custos foram citados como os grandes entraves para a retomada plena do setor. “Embora o resultado de maio na comparação com abril tenha sido positivo, quando olhamos o início de 2021 face ao recrudescimento da pandemia e todos os seus efeitos, o saldo ainda é negativo, haja vista que, quando pegamos outros indicadores, como o índice de média móvel trimestral, a leitura ainda é descendente”, afirma Macedo. 

O bom desempenho em paralelo com o mesmo mês de 2020 é mais reflexo da baixa base de comparação do que um crescimento sólido da categoria. Em maio do ano passado, o setor registrou retração de 21,9%. À época, plantas de produção foram paralisadas em função das medidas de isolamento social impostas para combater a disseminação da pandemia. “Precisamos lembrar que os meses de abril e maio do ano passado foram os pontos mais baixos da série histórica. Isso explica essas taxas muito expressivas do ponto de vista da magnitude e esse espalhamento de resultados positivos pelas atividades”, diz o pesquisador.