Projeção do PIB de 2021 deve ser revisada para baixo com resultados do segundo trimestre, diz Campos Neto

Presidente do Banco Central foi convidado para falar durante audiência na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados

  • Por Jovem Pan
  • 01/09/2021 12h14 - Atualizado em 01/09/2021 12h25
Wallace Martins/Estadão ConteúdoRoberto Campos Neto projetou possível revisão para baixo do PIB de 2021

Em conversa com parlamentares durante audiência na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 1º, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, falou sobre o cenário econômico do Brasil e sobre as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2021 com a queda de 0,1% registrada no segundo trimestre do ano. “Hoje saiu o número do PIB, que veio um pouco mais fraco do que o mercado esperava, a gente provavelmente deve ter uma revisão um pouquinho para baixo no ano corrente”, estimou. Ele comentou os dados sobre desemprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta semana mostrando leve diminuição da ocupação desocupada para citar a recuperação do PIB em “V”, que mostra um retorno em velocidade similar ao da queda. “De novo, a projeção do PIB de 2021 estava em 5,22% e com o número de hoje a gente acha que pode ser um pouco revisado para baixo, vamos observar”, disse, sem detalhar qualquer número.

Campos Neto manteve, porém, um tom otimista citando que o Brasil teve em 2020 uma queda do Produto Interno Bruto menor em comparação a outros países emergentes e citando que todo o mundo teve um aumento de dívidas durante a pandemia por causa de medidas de enfrentamento contra a Covid-19, com raras exceções. “Quando a gente olha o padrão histórico de dívida bruta no mundo, a gente vê uma dívida gigantesca no mundo, maior do que a dívida no pós-Segunda Guerra Mundial. A gente vê também uma dívida de emergentes muito alta, maior do que o período onde os emergentes se endividaram muito, antes da crise de 2008”, disse. O presidente do BC citou que as dívidas foram contratadas com taxas baixas e diante do ajustamento dessas taxas países emergentes podem ter um “efeito de correção”. “Aqui acho que a mensagem principal é que mesmo com a pandemia nós não paramos nenhum projeto. Estamos perto de entregar grande parte dos projetos que foram desenhados no começo. A gente segue com a inclusão de novos projetos, estamos em um processo agora de desenhar uma nova fase da agenda”, pontuou, citando o “Pix” como um esquema de inovação bem sucedido no último ano.

Este é o primeiro resultado negativo do PIB na comparação com o trimestre imediatamente anterior após três avanços seguidos e a segunda alta em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Com esse desempenho, a economia brasileira cresceu 6,4% no primeiro semestre. O setor de serviços — o mais impactado pelas medidas de isolamento social, registrou alta de 0,7%. O agronegócio recuou 2,8% na comparação com o trimestre anterior, enquanto a atividade da indústria teve queda de 0,2%. A atividade industrial recuou devido às quedas de 2,2% nas indústrias de transformação e de 0,9% na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos. Essas retrações compensaram a alta de 5,3% nas indústrias extrativas e de 2,7% na construção. Nos serviços, os resultados positivos vieram de quase todas as atividades: informação e comunicação (5,6%), outras atividades de serviços (2,1%), comércio (0,5%), atividades imobiliárias (0,4%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (0,3%) e transporte, armazenagem e correio (0,1%). Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,0%) ficou estável.