Se o governo fizesse a lição de casa, dólar estaria abaixo de R$ 5,00
Apesar de todo o problema fiscal brasileiro, tarifas de 50% impostas por Donald Trump contra o país, e atritos políticos e jurídicos, o dólar ronda a casa de R$ 5,30. Enganam-se aqueles que acreditam que a queda da moeda norte-americana decorre do mérito do governo. Pelo contrário, o dólar cai em relação a várias moedas, e não somente ao real. Prova disso é que o índice dólar (DXY), que mede a variação da moeda americana contra uma cesta de moedas (euro, libra, iene, franco suíço e coroa sueca) caiu bastante recentemente.
O principal fator que explica a queda do dólar é a diminuição da taxa de juros nos EUA, com perspectivas de cortes adicionais ainda neste ano. Com isso, diminui o prêmio para investir na renda fixa americana, aumentando o incentivo para buscar mais retorno em outras economias – sejam eles em bolsa ou em juros.
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Como a Selic está em 15% a.a, o Brasil se torna um paraíso de aplicações em renda fixa, atraindo uma série de investimentos estrangeiros, numa operação chamada de “carry trade” – ganho no diferencial de taxa de juros entre os países. Com a maior entrada de dólares no Brasil, o real valoriza.
Além do diferencial de taxa de juros e do fluxo de dólares, as expectativas macroeconômicas exercem um papal importante na cotação entre as moedas. Se o governo fizesse a sua parte, cortando gastos, certamente o dólar estaria abaixo de R$ 5,00.
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