Eleições presidenciais colombianas entram no terreno do imprevisível

  • Por Agencia EFE
  • 15/05/2014 21h55
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Jaime Ortega Carrascal.

Bogotá, 15 mai (EFE).- O resultado das eleições presidenciais da Colômbia do próximo dia 25 de maio se apresenta imprevisível quando faltam apenas dez dias para o pleito, a julgar pelas enquetes de intenções de voto que vaticinam que preveem um apertado segundo turno.

O que durante cinco meses foi uma campanha tediosa, pela falta de propostas para o país e de carisma dos cinco candidatos em disputa, se aqueceu nas últimas semanas pelos escândalos revelados nas duas principais campanhas e pelos resultados das enquetes.

Em novembro do ano passado, quando o presidente Juan Manuel Santos confirmou sua decisão de buscar nas urnas um segundo mandato, as enquetes lhe davam vantagem sobre seus rivais, mas sem a folga suficiente para ganhar no primeiro turno, ao mesmo tempo em que previam um triunfo cômodo perante qualquer oponente no segundo, previsto para o dia 15 de junho.

Desde então, e apesar do esforço de propaganda da campanha e de um governo que tem bons resultados para mostrar tanto no econômico como no social, a reeleição de Santos já não aparece tão clara, embora continue sendo o favorito, não tanto porque tenha perdido apoio, mas pelo crescimento de seus rivais.

Segundo uma pesquisa da empresa Cifras & Conceptos divulgada nesta quinta-feira pela “Caracol Radio” e “Red + Noticias”, o segundo turno é inevitável e o resultado é uma completa incógnita.

O presidente-candidato, porta-bandeira da coalizão União Nacional formada pelo Partido de la U, o Liberal e o Cambio Radical, tem 27,7% das intenções de voto, três décimos a mais que em abril, enquanto Óscar Iván Zuluaga, do movimento Centro Democrático, do ex-presidente Álvaro Urive, subiu 4,5 pontos no mesmo período, até 23,9%.

Em terceiro lugar, estável com 10%, se situa a esquerdista Clara López, do Polo Democrático Alternativo; enquanto Enrique Peñalosa, que em abril aparecia como uma opção às visões antagônicas de Santos e Zuluaga, especialmente em relação ao processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), caiu meio ponto, para 9,7%.

Com uma discreta subida de quatro décimos fecha a lista de opções de voto a conservadora Marta Lucía Ramírez, com 8,7%.

O panorama mais complicado aparece mesmo no provável segundo turno, no qual Santos aparece em situação de empate técnico com qualquer de seus quatro rivais, uma situação inédita até agora.

A pesquisa da Cifras & Conceptos, que tem uma margem de erro de 2,9%, além de confirmar a tendência de crescimento de Zuluaga já indicada por outras pesquisas nas últimas semanas, mostra que Santos conseguiria, em um hipotético segundo turno, sua vitória mais folgada perante Peñalosa (31,4% contra 29,9%), ou seja uma vantagem de apenas um ponto e meio.

Com Zuluaga, a margem seria igualmente apertada, de 0,6 ponto, mas a favor do candidato opositor, que o superaria com 34,2% contra 33,6% do presidente-candidato.

“Estamos perante a incerteza total; há muito tempo, talvez desde o pleito de 1970, entre Gustavo Rojas Pinilla e Misael Pastrana, não tínhamos uma eleição destas características”, disse à Agência Efe o analista político Fernando Giraldo, professor da Universidade Javeriana de Bogotá.

Naquela eleição, Pastrana, que representava a Frente Nacional, uma coalizão dos partidos Liberal e Conservador, que historicamente sempre dividiram o poder, venceu o dissidente general reformado e ex-ditador Rojas Pinilla com uma vantagem de apenas 1,6 ponto, um questionado resultado que foi o germe do grupo guerrilheiro M-19.

Em um segundo turno costuma haver fatores novos que podem inclinar a balança para um ou outro candidato, como as alianças, mudanças de estratégia e até os escândalos políticos, mas Giraldo considera que Santos deve ampliar sua vantagem nas urnas no dia 25 de maio a pelo menos cinco pontos para chegar mais tranquilo para a rodada decisiva de 15 de junho.

“O tema do processo de paz vai ser decisivo”, segundo o analista, que considera que se o terceiro ponto da negociação com as Farc em Cuba, sobre drogas ilícitas, “concluir antes de 25 de maio ou antes do segundo turno, vai favorecer Santos”.

Como ocorreu outras vezes, a chave da Casa de Nariño, sede do Executivo, pode estar nas mãos dos indecisos, que nesta ocasião representam uma porcentagem grande do eleitorado colombiano.

Para o primeiro turno, o voto em branco (11,5%) e os que não sabem ou não respondem (8,5%), representam a quinta parte dos eleitores, segundo a enquete, mas para o segundo a porcentagem de indecisos supera 32% em qualquer dos cenários, chegando a um máximo de 39,5% caso os rivais sejam Santos e a esquerdista López.

“Perante a ausência do debate político necessário para poder tomar uma decisão, parece haver um número crescente de colombianos em uma indecisão enorme, sem saber em quem votar”, lamentou Giraldo, que considera esta situação “uma calamidade política” para o país. EFE

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