Ex-núncio na R.Dominicana acusado de pedofilia é preso no Vaticano

  • Por Agencia EFE
  • 24/09/2014 00h23

Cidade do Vaticano, 23 set (EFE).- O ex-núncio do Vaticano Josef Wesolowski, acusado de pedofilia, foi submetido à prisão domiciliar nesta terça-feira por vontade do papa Francisco, que quer que o caso “tão grave e delicado” seja tratado sem demora.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, fez este anúncio hoje em comunicado, no qual ressaltou que a medida acontece após notificar Wesolowski que o mesmo é acusado em um processo penal por supostos “atos graves de abuso contra menores na República Dominicana”.

Wesolowski, de 66 anos, é acusado de abusar de menores de idade durante seu período como núncio apostólico na República Dominicana, entre janeiro de 2008 e agosto de 2013.

Por isso foi destituído de seu cargo no final de agosto de 2013 e em junho foi expulso do sacerdócio após um processo canônico instruído pela Congregação da Doutrina da Fé, o antigo Santo Ofício.

Essa congregação é o órgão do Vaticano que “julga os crimes contra a fé e os delitos mais graves cometidos contra a moral e na realização dos sacramentos”, segundo a própria Santa Sé.

Lombardi informou que o promotor de Justiça do Tribunal de primeira instância da Cidade-Estado do Vaticano convocou o ex-núncio polonês, sobre quem tinha empreendido uma investigação criminal.

O prelado foi notificado sobre os crimes aos quais é acusado no processo penal por graves abusos contra menores de idade na República Dominicana.

A gravidade das acusações fez com que o órgão citado decidisse colocá-lo em prisão domiciliar, assim que for comprovada sua documentação médica.

Na nota, o porta-voz destacou que a iniciativa empreendida pelos órgãos judiciais do Vaticano corresponde à vontade do próprio papa, que quer que esse “grave e delicado” caso seja tratado sem demora, com o “rigor justo e necessário” e com “plena responsabilidade das instituições da Santa Sé”.

O escândalo foi descoberto por uma reportagem do programa de investigação da jornalista Nuria Piera, transmitido por canais de televisão da República Dominicana, na qual garantiu que Wesolowski supostamente pagava para manter relações sexuais com menores no país.

Após o programa, o cardeal dominicano Nicolás de Jesús López Rodríguez informou que tinha comunicado diretamente o papa Francisco sobre as denúncias contra Wesolowski e classificou o assunto de “extremamente grave”.

No entanto, nos últimos tempos, a Santa Sé foi alvo de críticas pela liberdade da qual gozava Wesolowski, que retornou a Roma apesar das acusações.

Tanto a Justiça polonesa como a da República Dominicana apresentaram acusações contra o ex-núncio por casos de pedofilia. EFE